Coronavírus

Economia Aumento de dívida governamental atingirá emergentes com mais força

Aumento de dívida governamental atingirá emergentes com mais força

Para minimizar efeitos da pandemia, governos contraíram dívidas que, somadas, totalizaram US$ 77,8 tri, 94% do PIB mundial

  • Economia | Do R7

Resumindo a Notícia

  • Crescimento recorde na dívida de governos do mundo atingirá de forma mais forte países emergentes
  • Projeção foi feita pela agência de classificação de risco Fitch Ratings
  • A dívida soberana global acumula US$ 77,8 trilhões, o que representa cerca de 94% do PIB mundial
  • Gastos de governos em busca de minimizar efeitos da pandemia foram principal motivo de endividamento
Dívida soberana global disparou US$ 10 trilhões

Dívida soberana global disparou US$ 10 trilhões

Yuriko Nakao/Reuters

Um crescimento recorde na dívida de governos em todo o mundo atingirá os mercados emergentes de forma desproporcional, com as nações em desenvolvimento não se beneficiando de taxas de juros mais baixas e o custo do serviço da dívida sendo motivo de preocupação, disse a agência de classificação de risco Fitch Ratings nesta quarta-feira (6).

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A dívida soberana global disparou 10 trilhões de dólares, para 77,8 trilhões, ou 94% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial, conforme governos aumentaram gastos com saúde e protegeram suas economias afetadas pelas consequências da pandemia de coronavírus, calculou a Fitch.

Tanto o salto quanto os níveis de dívida estão em máximas recordes, escreveu o chefe de ratings soberanos da Fitch, James McCormack, em relatório, acrescentando que o último acréscimo de 10 trilhões de dólares levou sete anos para ser acumulado.

E, embora a proporção da dívida dos governos em relação ao PIB — medida frequentemente usada como indicador aproximado para a sustentabilidade das contas públicas — tenha ficado em cerca de 60% do PIB para os mercados em desenvolvimento e desenvolvidos, isso mascarou uma divergência nas taxas de juros para os dois grupos, disse McCormack.

"Para a dívida soberana de mercados emergentes, não houve 'almoço grátis' associado a juros mais baixos", escreveu ele.

A taxa média de juros sobre o estoque total da dívida de governo caiu de 4% para 2% na última década nos mercados desenvolvidos, concluiu o relatório. Nos mercados emergentes, a taxa aumentou de 4,3% para 5,1%.

A Fitch prevê que os pagamentos de juros pelos governos em mercados desenvolvidos e emergentes convergirão até 2022 em cerca de 860 bilhões de dólares, embora a dívida do primeiro grupo seja três vezes maior que o segundo.

"O resultado é que, embora os governos de mercados desenvolvidos e emergentes agora tenham proporções semelhantes de dívida/PIB, eles têm custos de serviço de dívida muito diferentes", disse McCormack.

"Com o rápido aumento da dívida governamental de mercados emergentes, isso deve ser motivo de preocupação e tem sido um fator que contribuiu para o excesso de endividamento em vários mercados emergentes em 2020."

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