Economia Baixa umidade do solo no centro-sul afeta cultivos após geadas, diz Geosys Brasil

Baixa umidade do solo no centro-sul afeta cultivos após geadas, diz Geosys Brasil

COMMODS-CLIMA-GEOSYS:Baixa umidade do solo no centro-sul afeta cultivos após geadas, diz Geosys Brasil

Reuters - Economia

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A umidade do solo em níveis historicamente baixos e a escassez de chuvas projetada para grande parte do centro-sul do Brasil em agosto trazem preocupação a produtores, especialmente de cana-de-açúcar e trigo, após as geadas de julho impactarem diversos cultivos, apontou a Geosys Brasil nesta terça-feira.

A umidade do solo no Paraná, maior produtor de trigo do Brasil, atingiu um índice de 29,96%, o menor valor ao menos desde 2017, ficando também abaixo da média histórica de dez anos, de 31,13%, segundo dados da empresa que trabalha com informações meteorológicas e imagens de satélite para uso na agricultura.

No Rio Grande do Sul, segundo produtor de trigo do país, a umidade do solo atingiu 36,89%, versus uma média de dez anos de 45,29%.

São Paulo, que também tem alguma produção de trigo, mas é líder nacional na produção de cana, colhendo mais da metade da safra brasileira, atingiu umidade do solo de apenas 19,82%, um índice ligeiramente acima dos 18,85% de 2020, mas inferior à média histórica de 23,72%,

"Depois da forte queda da temperatura e das geadas nos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná e parte de São Paulo, nos últimos dias de julho, a seca deverá afetar mais intensamente diversas regiões de trigo e cana-de-açúcar nos três Estados", antecipou à Reuters a Geosys.

Em julho, geadas afetaram severamente áreas produtoras de milho, de café, além de cana e legumes e verduras. O Paraná teve perdas expressivas de milho e seu trigo também sofreu, assim como áreas de cana de Mato Grosso do Sul também foram atingidas. Além dos canaviais, São Paulo registrou problemas para o café, assim como Minas Gerais.

O tempo seco, que já havia colaborado para reduzir fortemente a safra de milho do centro-sul, impactando também cafezais e canaviais, volta a tornar uma preocupação climática maior à medida que diminui o risco de geadas.

"Para o curto prazo, a previsão é de que o frio perca intensidade e as temperaturas fiquem próximas à média, favorecendo as lavouras. Mas o volume de chuvas deve seguir baixo, o que deve manter a umidade do solo no menor nível em relação aos últimos anos", disse a Geosys Brasil sobre o Paraná, fazendo ainda avaliação semelhante para lavouras gaúchas e paulistas.

"Vamos aguardar mais alguns dias para identificar o quanto a estiagem afetará o potencial produtivo das plantas", disse o analista de cultura da Geosys, Felippe Reis.

Dados meteorológicos da Refinitiv confirmam que grande parte do centro-sul do Brasil praticamente não terá chuvas até o dia 25 de agosto, pelo menos, com exceção de algumas áreas, como regiões litorâneas desses Estados.

O Sul do Paraná, onde está o trigo menos afetado pelas geadas, também deverá receber chuvas no período, assim como áreas do interior do Rio Grande do Sul.

Entretanto, segundo dados da Refinitiv, as precipitações previstas terão volumes abaixo da média histórica mesmo na maioria das áreas que receberão mais chuvas.

No que diz respeito à cana, os problemas climáticos têm ficado mais evidentes, com os preços dos açúcar disparando nesta terça-feira após dados do setor apontarem queda na produtividade.

Com relação ao trigo, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou nesta terça-feira uma safra recorde, diante de um crescimento de mais de 15% da área no Brasil, enquanto monitora os efeitos das geadas. A Conab ainda fez mais um corte drástico na safra de milho.

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