BC corta taxa básica de juros pela sétima vez seguida, a 3% ao ano

Decisão tomada na tentativa de conter os efeitos do novo coronavírus na economia reduz a Selic ao menor patamar da história

Mercado aposta em novo corte de juros em junho

Mercado aposta em novo corte de juros em junho

Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) optou nesta quarta-feira (6) pela sétima redução consecutiva da taxa básica de juros da economia brasileira.

Novamente influenciado pelo efeito da pandemia do novo coronavírus, o corte de 0,75 ponto percentual é maior do que o esperado pelo mercado e leva a Selic a 3% ao ano, menor patamar da história. A taxa permanecerá vigente ao menos pelos próximos 45 dias.

A redução dos juros básicos tem o objetivo de estimular a economia nacional. Isso acontece porque o crédito mais barato tende a incentivar a produtividade e impulsionar o consumo das famílias.

"No cenário externo, a pandemia da covid-19 está provocando uma desaceleração significativa do crescimento global, queda nos preços das commodities e aumento da volatilidade nos preços de ativos. Nesse contexto, apesar da provisão adicional de estímulos fiscal e monetário pelas principais economias, e de alguma moderação na volatilidade dos ativos financeiros, o ambiente para as economias emergentes segue desafiador", escreveu o Copom para justificar a decisão.

O novo corte da Selic é maior do que o esperado pelo mercado financeiro, que apostava em uma nova baixa de 0,5% na reunião desta quarta-feira. De acordo com os analistas ouvidos semanalmente pelo BC, a Selic também será reduzida em junho, para 2,75% ao ano.

Diferentemente das apostas do mercado financeiro, o Copom avalia que é possível realizar um novo corte de até 0,75 ponto percentual para "complementar o grau de estímulo necessário como reação às consequências econômicas da pandemia".

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O veredito pela redução da Selic foi novamente unânime. Votaram a favor do corte o presidente do BC, Roberto Oliveira Campos Neto, e os diretores Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fábio Kanczuk, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.

Apesar da decisão unânime, dois membros do Comitê entenderam que mesmo com a possibilidade de elevação da taxa de juros estrutural, poderia ser oportuno fazer um corte mais efetivo da Selic neste momento, em conjunto com a sinalização de manutenção da taxa básica de juros pelos próximos meses.

No entanto, foi preponderante a avaliação de que, frente à conjuntura de elevada incerteza doméstica, o espaço remanescente para utilização da política monetária é incerto e pode ser pequeno. Com isso, permaneceu uma decisão mais moderada para acumular mais informações até o próximo encontro do grupo.

Juros básicos

Conhecida como taxa básica, a Selic representa os juros mais baixos a serem cobrados na economia e funciona como forma de piso para as demais taxas cobradas no mercado financeiro.

Em linhas gerais, a taxa básica de juros é aquela que os bancos pagam para pegar dinheiro no mercado e repassá-lo para empresas ou consumidores em forma de empréstimos ou financiamentos. Por esse motivo, os juros que os bancos cobram dos consumidores são sempre superiores à Selic.

A taxa básica também serve como o principal instrumento do BC para manter a inflação sob controle, próxima da meta estabelecida pelo governo. Isso acontece porque os juros mais altos encarecem o crédito, reduzem a disposição para consumir e estimulam novas alternativas de investimento.

Sempre que o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida e isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo.