Economia BC pedirá ao Congresso carta branca para compra direta de crédito, nos moldes do Fed

BC pedirá ao Congresso carta branca para compra direta de crédito, nos moldes do Fed

Reuters

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O governo irá propor ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que autoriza o Banco Central a comprar diretamente crédito em cenários de crise, afirmou o presidente do BC, Roberto Campos Neto, o que aumentará exponencialmente o poder de fogo da autarquia para estabilizar o mercado frente aos desafios econômicos com o coronavírus.

Pela legislação vigente, o BC não pode comprar ativos financeiros, públicos ou privados, no âmbito dos mercados financeiro e de capitais.

Caso ganhe carta branca dos parlamentares para tanto, a autoridade monetária poderá se alinhar a outros países no mundo, que estão anunciando programas vultosos para apoiar o crédito a famílias, pequenas empresas e grandes empregadores.

Em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto nesta sexta-feira, Campos Neto argumentou que a iniciativa é "muito potente" para estabilizar o mercado de crédito onde as instituições financeiras "não chegam".

"Essa é uma medida que tem largo alcance, o balanço do Banco Central é enorme, tem mais de 1,5 trilhão (de reais). Então essa é uma medida muito importante para estabilizar o crédito", afirmou Campos Neto.

"É uma medida que só vai poder ser acionada em cenários de crise, como o que nós estamos vivendo hoje. A ideia não é que o Banco Central tenha sempre essa autonomia", completou.

Em movimento que injetou ânimo aos mercados globais nesta semana, o Federal Reserve, BC dos Estados Unidos, anunciou ações históricas nesse sentido, incluindo compra de bônus corporativos e financiamentos diretos a empresas.

Sob os novos programas, o Fed também concederá empréstimos para estudantes, empréstimos com cartão de crédito e empréstimos garantidos pelo governo dos EUA a pequenas empresas. Adicionalmente, comprará títulos de empregadores maiores e fará empréstimos a eles.

Nesta sexta-feira, Campos Neto afirmou que a medida que está em elaboração permitirá que BC atue como o Fed.

"Hoje em dia o Banco Central brasileiro não tem essa capacidade, o máximo que ele pode fazer é injetar liquidez no sistema. Obviamente, numa situação conturbada como a que nós estamos, nem sempre a liquidez chega na ponta final", afirmou.

Ainda na véspera, o presidente do BC havia dito em coletiva de imprensa que a autoridade monetária não tinha ferramentas para a compra direta de dívidas de empresas e que, por isso, o canal de intervenção e atuação era sempre via sistema bancário.

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(Por Marcela Ayres)

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