Coronavírus

Economia Bikes driblam falta de peças e aumentam vendas na pandemia

Bikes driblam falta de peças e aumentam vendas na pandemia

Lojas comercializaram 50% mais em 2020, em relação a 2019; segundo semestre de 2021 superou em 34% o do ano passado

  • Economia | Marcos Rogério Lopes, do R7

As bicicletas foram vistas pelo público como uma maneira de fazer esporte sem contato físico

As bicicletas foram vistas pelo público como uma maneira de fazer esporte sem contato físico

Pixabay

Bicicletas na contramão costumam ser explicações para más notícias. Dessa vez, não é o caso. Enquanto indústrias e  serviços de todos os tipos fechavam as portas e lamentavam as restrições impostas pela pandemia de covid-19 no Brasil, o setor dos veículos de duas rodas viu os lucros aumentarem.

Em comparação com os primeiros seis meses do ano passado, o primeiro semestre de 2021 mostrou uma alta de 34,17% nas vendas, segundo o monitoramento da Aliança Bike (Associação Brasileira do Setor de Bicicletas), que ouviu 180 lojistas de 20 estados.

Não que 2020 tenha sido ruim. Após o fechamento de lojas pelo país, as empresas ficaram sem ter como vender seus produtos entre março e abril, mas logo o público ávido pelas bikes deu um jeito de encontrá-las, por meio do comércio on-line, que se expandiu quase 70% em todos os setores durante a pandemia, ou nos estabelecimentos que começaram a abrir a partir de julho, mês que registrou 118% de aumento nas vendas de bicicletas em relação ao mesmo mês de 2019.

Os empresários fecharam 2020 com faturamento 50% superior ao do ano anterior.  

Para os profissionais do segmento, uma das explicações para o sucesso na contramão da economia é que esses veículos ganharam qualidades extras assim que os brasileiros começaram a se trancar em casa com medo do coronavírus. 

"A bicicleta se tornou uma espécie de símbolo no combate à pandemia, sendo inclusive indicada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como meio de transporte e de atividade física adequados, já que podem ser utilizadas ao ar livre e sem o contato direto com outras pessoa", diz Daniel Guth, diretor-executivo da Aliança Bike:

A associação ainda não tem dados do segundo semestre deste ano, mas acredita em bons números. "O setor segue otimista com a manutenção da alta demanda , mas existem importantes desafios, ocasionados pelo desabastecimento de componentes e pelo disparo do custo do frete marítimo", afirma Daniel Guth, citando a dificuldade das fábricas em receber peças para montar as bicicletas no país.

A maior parte dos componentes vem da China, de Taiwan e da Indonésia, países que não conseguem atender à demanda mundial porque, como o mundo inteiro, se viram obrigados a adotar protocolos de segurança contra a covid-19 que tiveram impacto negativo na produção.

Empregos

Segundo um levantamento da Aliança Bike, utilizando como referência dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do IBGE, 1.079 brasileiros foram contratados com carteira assinada para fabricar bicicletas e componentes em 2020. No comércio dos veículos, outras 984 pessoas foram empregadas. 

Nos dois primeiros meses de 2021, até onde foi a pesquisa, as indústrias contrataram formalmente 301 pessoas, e as lojas, 424.

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