Brexit: Reino Unido fora da União Europeia
Economia Bolsas europeias ampliam perdas com incertezas sobre consequências do Brexit

Bolsas europeias ampliam perdas com incertezas sobre consequências do Brexit

As bolsas europeias ampliam as perdas nesta segunda-feira em meio a incertezas sobre as consequências depois que o Reino Unido optou por sair da União Europeia, o que levou a libra a atingir o menor nível em 31 anos. Da mesma maneira, o juro dos bônus soberanos britânicos de 10 anos caiu para menos de 1% pela primeira vez na história nos negócios.

Às 8h55 (de Brasília), a Bolsa de Londres recuava 2,09%, Paris perdia 2,12% e Frankfurt caía 2,23%. Já a Bolsa de Madri tinha queda de 1,59%, Milão perdia 2,54% e Lisboa baixava 1,68%.

O clima de tensão ainda pesa sobre as bolsas. Prevendo uma forte onda vendedora no pregão de hoje, o ministro de Finanças do Reino Unido, George Osborne, procurou acalmar as famílias, empresas e mercados financeiros ao garantir que a economia britânica continua sólida, depois da vitória do Brexit na semana passada. Osborne, que falou a repórteres antes da abertura da Bolsa de Londres, disse que a economia do Reino Unido está forte e que seus bancos e sistema financeiro são saudáveis. Ainda assim, a tentativa de tranquilizar os ânimos não foi suficiente.

O mercado segue cautelo para saber agora os desdobramentos da decisão do plebiscito. No final de semana, os ministros de Relações Exteriores de seis nações fundadoras da União Europeia reivindicaram que o Reino Unido tome as providências para deixar o bloco europeu "o mais rápido possível". Ministros da França, Alemanha, Itália, Holanda, Bélgica e Luxemburgo que se reuniram em Berlim no sábado afirmaram que o governo britânico precisa implementar rapidamente o artigo 50 do tratado da União Europeia, que trata da saída de um membro do grupo, para que o bloco siga em frente normalmente. As negociações podem demorar até dois anos após a notificação formal da intenção de saída por parte do Reino Unido.

Ontem, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, alertou para mais volatilidade e incertezas nos mercados se as autoridades britânicas não fornecerem rapidamente aos investidores certezas e direcionamento sobre o novo estado de seu relacionamento com a União Europeia.

O alerta de Lagarde tem se confirmado. Hoje pela manhã, a libra continuou a cair fortemente pressionada ainda pelo resultado inesperado de um Brexit, levando a moeda a atingir o menor nível em 31 anos em relação ao dólar. No horário acima, a libra caía a US$ 1,3199.

Enquanto isso, o juro dos bônus soberanos britânicos de 10 anos caiu para menos de 1% pela primeira vez na história nos negócios de hoje, refletindo a alta nos preços dos Gilts, como são chamados os papéis. A queda no rendimento do Gilt vem em meio a apostas de que o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) ampliará os estímulos monetários após o plebiscito.

Em meio aos temores, mais uma vez as ações de bancos seguem penalizadas, uma vez que o setor bancário é um dos mais interligados da Europa. Entre as maiores quedas, destaque para os papéis do Barclays, em Londres, com baixa de 4,55% e o italiano Unicredit, em Milão, com retração de 7,71%.

No resto da Europa, vale destacar que a Bolsa de Madri abriu em alta de 1,5% refletindo o resultado das eleições parlamentares na Espanha, uma vez que a nação deu um passo para acabar com a incerteza política que há meses tem atormentado a segurança dos investidores. No domingo, a eleição na Espanha - a segunda em seis meses - não rendeu nenhuma maioria clara para qualquer partido, mas sinalizou um aumento na popularidade do conservador Partido Popular (PP), que teve 33% dos voto. Segundo o analista do UBS Bosco Ojeda, embora a incerteza persiste, duas configurações do governo estão se tornando cada vez mais provável. Ou o PP vai se unir com o partido centrista Cuidadanos e governar em minoria, ou formar uma grande coalizão com o Partido Socialista vice-campeão. A Bolsa, no entanto, foi pressionada pelo mau humor generalizado e não conseguiu se manter no terreno positivo.