Economia Bolsonaro admite discussão sobre furar teto de gastos

Bolsonaro admite discussão sobre furar teto de gastos

Presidente disse que integrantes do governo debatem mudanças na regra para que seja possível ampliar recursos para conclusão de obras

  • Economia | Do R7, com Reuters

Bolsonaro cobrou "patriotismo" ao criticar o mercado

Bolsonaro cobrou "patriotismo" ao criticar o mercado

Reprodução/YouTube

O presidente Jair Bolsonaro admitiu nesta quinta-feira (13) discussões internas no governo sobre furar o teto de gastos públicos, acrescentando que a intenção seria arranjar recursos para obras no Nordeste, e ainda fez críticas ao mercado financeiro, cobrando "patriotismo". "A ideia de furar teto existe, é só um debate, qual é o problema?", disse o presidente.

A declaração, feita em transmissão ao vivo pelas redes sociais, ocorreu um dia após Bolsonaro ter participado de reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), sobre a política econômica, afirmando após o encontro respeitar o teto de gastos e que quer responsabilidade fiscal.

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Apesar de reconhecer as discussões por membros do governo, o presidente destacou que a intenção de furar o teto não foi levada adiante, e questionou ainda a reação do mercado financeiro ao que chamou de "vazamento" de informações.

"Foi uma discussão de pauta que resolvemos não levar adiante. Mas alguém vazou e todo mundo apanhou, eu apanhei nessa questão. O mercado reage, dólar sobe, a bolsa cai. Mas o mercado tem que dar um tempinho também, né? Dar um tempinho também, um pouquinho de patriotismo não faz mal a ele, não ficar aí aceitando essa pilha", afirmou.

Bolsonaro lembrou que, em razão da pandemia do novo coronvírus, a emenda constitucional que permitiu gastos extraordinários — batizada de PEC da Guerra — autorizou o governo a furar o teto de gastos em R$ 700 bilhões.

O presidente revelou que foi questionado por membros do governo sobre furar o teto em mais R$ 20 bilhões, e detalhou que a intenção de "arranjar" esses recursos seria para obras e ações no Nordeste, citando a revitalização do Rio São Francisco.

Bolsonaro criticou aqueles que disseram que já haveria "tudo articulado" para se furar o teto. Sem citar o nome do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ele cutucou-o indiretamente ao afirmar na transmissão que disseram no "outro Poder" que não vão aceitar jeitinho para driblar a emenda constitucional que limita o crescimento das despesas públicas.

Maia e Guedes têm sido dois dos principais defensores da manutenção da responsabilidade fiscal dos gastos públicos, admitindo apenas as despesas extraordinárias decorrentes da pandemia do novo coronavírus.

O presidente disse que a questão foi discutida porque todo mundo quer mais recursos e ele dá liberdade para que o debate seja realizado. Ele contou que em torno de 95% dos recursos do Orçamento público brasileiro estão comprometido e a "briga" por recursos é salutar, lembrando que no próximo ano vai haver problemas porque a arrecadação vai cair.

Bolsonaro afirmou que a reunião da véspera foi chamada com a intenção de acertar os ponteiros, depois que dois secretários do Ministério da Economia deixaram o governo nesta semana. Segundo ele o encontro serviu para acalmar o mercado e foi um grande passo, apesar de afirmar que "plenamente satisfeito a gente nunca fica".

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