Economia Carnes de frango e suína seguirão bovina e devem ficar mais caras

Carnes de frango e suína seguirão bovina e devem ficar mais caras

Para economista, busca por opções mais em conta para compor as refeições do dia a dia refletirá na elevação do preço de outras carnes

Quilo da carne bovina chegou a R$ 15,79 na segunda-feira (25)

Quilo da carne bovina chegou a R$ 15,79 na segunda-feira (25)

Holger Langmaier/Pixabay

Os brasileiros que não dispensam um pedaço de carne nas suas refeições do dia a dia estão sentindo a elevação no preço da proteína animal em açougues e supermercados há dois meses.

Para se ter uma ideia, o quilo da carne bovina era cotado a R$ 15,79 na segunda-feira (25), segundo levantamento feito pelo Cepea/Esalq/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Esse valor refere-se ao quilo da carcaça casada dianteiro (carne de segunda), traseiro (carne de primeira) e a ponta de agulha (costela).

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Na comparação com o dia 25 de outubro, quando o quilo da carne custava R$ 11,51, houve uma elevação de 37,2%. Já na comparação com 25 de setembro, com o quilo cotado a R$ 10,83, a alta foi de 45,8%.

Para Mauro Rochlin, professor dos MBAs da FGV (Fundação Getulio Vargas), com o aumento das exportações da carne, principalmente para a China, os preços no mercado interno devem se manter em alta.

“O mercado espera que as exportações se mantenham em alta. A tendência é que os preços internos sejam igualados aos externos e se estabilizem em um determinado momento, ou seja, parem de subir. Não é esperada, no entanto, a redução dos preços praticados atualmente”, diz Rochlin.

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Thiago Bernardino Carvalho, pesquisador de pecuária do Cepea, concorda com Rochlin, mas ressalta que 80% da carne produzida no Brasil é consumida pelo mercado interno.

“Em cada cinco bifes produzidos, quatro ficam por aqui. O aquecimento do mercado interno dependerá do fortalecimento da nossa economia.”
Thiago B. Carvalho, do Cepea

Carvalho conta que a oferta de carne bovina estava mais restrita no Brasil, principalmente no segundo semestre.

“Somada uma oferta restrita com uma demanda forte da China, consequentemente houve aumento nas exportações e gerou um reflexo por aqui.”

O pesquisador do Ipea atribuiu a alta no preço da carne também ao abastecimento do varejo por conta das vendas de fim de ano. "Os supermercados precisam se abastecer para atender a demanda que surgirá com as festas de fim de ano."

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Assim como Rochlin, Carvalho acredita que as exportações brasileiras de carne devem continuar em alta.

No entanto, ele lembra que outros países também vão querer competir com o Brasil para ganhar o mercado chinês. “E isso também poderá refletir no nosso preço no futuro.”

Exportação de carne bovina para China sobe 163,18%

As exportações de carne para a China, impulsionadas por um surto de peste suína africana na Ásia, são apontadas como o principal motivo para a alta do preço do quilo no Brasil.

Dados da balança comercial entre os dois países, coletados no site do Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços, apontam aumento na exportação brasileira dos três tipos de carne – bovina, suína e de frango – para a China.

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Na comparação com o acumulado de outubro do ano passado com o deste ano, a balança comercial brasileira registrou uma alta de 163,18% nas exportações de carne de bovino congelada, fresca ou refrigerada, passando de US$ 141.835.860 toneladas para US$ 373.280.531. Alta de 163,18%.

Também foi registrada alta nas exportações de carne de suíno congelada, fresca ou refrigerada no acumulado do mesmo período. O volume passou de US$ 26.653.146, em outubro de 2018, para US$ 69.387.686, em outubro deste ano. Alta de 160,34%.

O mesmo ocorreu com a carne de frango congelada, fresca ou refrigerada, incluindo miúdos. Foi de US$ 63.951.725, no acumulado de outubro de 2018, para US$ 103.266.240, no acumulado de outubro de 2019. Alta de 61,48%.