CGU investiga 74 mil sócios de empresas que receberam auxílio

Órgão de fiscalização do governo rastreia ainda proprietários de veículos acima de R$ 60 mil, doadores de campanhas e até donos de embarcações

Benefícios com suspeita de fraude são suspensos

Benefícios com suspeita de fraude são suspensos

Adriana Toffetti/A7 Press/Estadão Conteúdo - 26.5.2020

A CGU (Controladoria-Geral da União) está cruzando dados para identificar milhares de possíveis fraudes no recebimento do auxílio emergencial de R$ 600 pago pelo governo a pessoas que tiveram a renda comprometida durante a pandemia do coronavírus.

O ministro da CGU, Wagner Rosário, afirmou nesta terça-feira (26) que 74 mil sócios de empresas que possuem empregados cadastrados no auxílio também receberam o benefício.

Ainda há outros 86 mil indivíduos que fizeram doações superiores a R$ 10 mil como pessoa física nas últimas campanhas eleitorais e solicitaram o auxílio do governo.

Outros filtros incluem proprietários de veículos avaliados em mais de R$ 60 mil e de embarcações, além de pessoas com domicílio fiscal no exterior.

"Em conjunto com o Ministério da Cidadania, a gente vem cortando esses benefícios para evitar a saída de recursos [indevidamente]", afirmou o ministro.

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Transparência

Rosário afirmou que em até duas semanas o governo vai disponibilizar para consulta uma lista de "todas as pessoas que vêm recebendo [o auxílio], para que o cidadão possa ele mesmo fiscalizar esses cerca de 53 milhões da pessoas que estão cadastradas".

A CGU também criou um canal de denúncias para apurar suspeitas de irregularidades.

"Já são 25,5 mil manifestações só no período do covid; 248 denúncias encaminhadas diretamente à CGU, 548 denúncias para todo o sistema. Essas denúncias geraram 18 informes, que alcançam 15 municípios, distribuídos em 12 estados, 31 empresas e recursos que chegam a R$ 330 milhões que estão sob investigação, fruto dessas denúncias", acrescentou o ministro.