Economia CNI vive de encargos e acredita que defende a indústria, critica Guedes

CNI vive de encargos e acredita que defende a indústria, critica Guedes

Manifestação surge após dados contrários da entidade à proposta de reduzir as tarifas de importação do Mercosul

Agência Estado - Economia
Guedes voltou a defender mudanças nas regras do Mercosul

Guedes voltou a defender mudanças nas regras do Mercosul

Marcelo Camargo/Agência Brasil - 22.07.2021

O ministro da Economia Paulo Guedes, criticou a CNI (Confederação Nacional da Indústria) nesta quinta-feira (19). Depois de o gerente de Políticas de Integração Internacional da entidade, Fabrízio Panzini, apresentar dados contrários à proposta do governo brasileiro de reduzir as tarifas de importação do Mercosul, Guedes disse que os estudos da entidade são "financiados com encargos trabalhistas".

"A CNI vive de encargos trabalhistas e ainda acredita que está defendendo a indústria brasileira. Já pedi para reduzir encargos trabalhistas, mas a CNI é contra porque é com encargo trabalhista que CNI financia seus estudos", disse Guedes, durante audiência pública da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

O ministro ainda disse que a CNI tem "boicotado" as propostas de reformas enviadas ao Congresso Nacional e também em várias outras áreas. Ele citou o que seriam obstáculos do empresariado a mudanças no ICMS, na reforma tributária, setor elétrico e no marco regulatório do saneamento básico.

Guedes também afirmou que a entidade precisa "tirar fantasias e parar de fazer ataques amistosos e sutis" e voltar para o jogo da vida real. "Boicotar as reformas não é bom para ninguém, nem para a indústria. Apenas para a CNI, que é uma entidade corporativa", bateu. "A inflação está subindo e temos que fazer um movimento de abertura", repetiu.

Ao mesmo tempo, Guedes avaliou que se trata de um setor "valente" e que conseguiu "sobreviver ao massacre" de momentos de juros básicos de dois dígitos. No momento, as taxas estão em tendência de alta novamente, mas ele disse que "se baixarmos a bola e esperarmos a próxima eleição, o juro volta a cair".

Apesar de alguns afagos, o ministro não poupou o setor industrial. "É sempre a desculpa de que tem que fazer muito para não fazer nada", disse durante evento no Senado, que conta também com a participação de representantes da CNI. "Se mela a reforma tributária, não dá nem o primeiro passo.... É o passo inicial para fazer a grande simplificação. Diz que quer fazer a caminhada, mas nunca dá o primeiro passo", criticou.

Vários industriais já foram a público reclamar da proposta de reforma tributária enviada pelo Executivo ao Congresso e afirmaram, inclusive, que este não seria o melhor momento para colocar as mudanças em prática. "Eu entendo o receio da CNI de entrar o Vietnã na indústria têxtil ou dos coreanos na automotiva", considerou. É esse equilíbrio, no entanto, que precisa ser manobrado, de acordo com ele. "Estamos muito atentos."

A sessão debate o tema "Mercosul: tarifa externa comum e potencial de ampliação do bloco". "Nunca vi uma indústria tão protegida e que foi quase destruída. Que proteção é essa?", questionou. Na audiência, Guedes voltou a defender mudanças nas regras do Mercosul e a dizer que o Brasil ficou "aprisionado" ao bloco. "Somos a favor do Mercosul, mas queremos modernizá-lo", completou.

O modelo protecionista, de acordo com o ministro, é equivocado e ruim. "O industrial está perdendo a importância há 15 anos, e não estão se dando conta disso", disse durante audiência pública da Comissão de Relações Exteriores do Senado, que debate o tema "Mercosul: tarifa externa comum e potencial de ampliação do bloco".

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