Economia Confiança do consumidor cai ao menor nível desde abril

Confiança do consumidor cai ao menor nível desde abril

Resultado negativo é motivado por inflação e desemprego elevados, risco de crise energética e incertezas, aponta FGV

  • Economia | Do R7

Confiança do consumidor figura aos 75,3 pontos

Confiança do consumidor figura aos 75,3 pontos

SUAMY BEYDOUN/AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO - 7.10.2020

A confiança do consumidor brasileiro caiu 6,5 pontos em setembro e figura aos 75,3 pontos. Trata-se do menor patamar desde abril de 2021 (72,1 pontos), segundo dados divulgados nesta sexta-feira (24) pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

De acordo com Viviane Seda Bittencourt, coordenadora das sondagens do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), a queda de confiança confirma a interrupção da tendência de recuperação iniciada em abril, após a segunda onda da covid-19.

Na percepção de Viviane, o movimento ocorre pela combinação de fatores que já vinham afetando a confiança em meses anteriores, como a inflação e desemprego elevados, além do risco de crise energética e o aumento da incerteza econômica e política com impacto mais acentuado sobre as expectativas em relação aos próximos meses.

"A fragilidade da confiança dos consumidores tem sido marcada pela grande distância em relação à confiança empresarial e pela alta sensibilidade a qualquer novo fator, tornando muito difícil a antecipação de alguma tendência para os meses seguintes”, afirma Viviane.

No mês, houve piora tanto na percepção dos consumidores sobre as expectativas em relação aos próximos meses e quanto em relação à situação atual. O ISA (Índice de Situação Atual) cedeu um ponto no mês, para 68,8 pontos, menor nível desde maio, enquanto o IE (Índice de Expectativas) recuou 9,8 pontos, para 81,1 pontos, menor nível desde abril (79,2 pontos).

Renda

A análise por faixas de renda revela piora da confiança para todas as famílias, com maior impacto entre os consumidores com renda mais baixa que apresentam nível menor nível desde o impacto da segunda onda de covid entre março e abril desse ano. Consumidores com renda familiar mensal entre R$ 2.100 e R$ 4.800, apresentam a maior queda de confiança em setembro.

"O pessimismo é maior entre as famílias de menor poder aquisitivo, cujas expectativas em relação à evolução da situação econômica geral são as piores desde abril de 2016, mas é bastante disseminado entre todas as faixas de renda", analisa Viviane.

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