Economia Construtoras adiam lançamentos e aumentam descontos para conseguir vender imóveis

Construtoras adiam lançamentos e aumentam descontos para conseguir vender imóveis

Redução chega a até 25% do preço, e mercado já vende uma em cada cinco unidades à vista

Construtoras adiam lançamentos e aumentam descontos para conseguir vender imóveis

Muitos apartamentos prontos são vendidos com desconto

Muitos apartamentos prontos são vendidos com desconto

Rafael Belzunces/Framephoto/Estadão Conteúdo

A crise na economia afastou muitos investidores e também deixou o sonho da casa própria mais distante do trabalhador brasileiro. Para se adaptar a essa realidade, as construtoras diminuíram em 2015 o número de lançamentos e aumentaram os descontos na tentativa de fisgar novos clientes.

Segundo os últimos dados da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), que representa 18 grandes empresas do setor, o estoque disponível entre setembro e novembro se esgota em 14 meses, se mantidos os ritmos de lançamentos e vendas.

Na cidade de São Paulo, havia 27,2 mil imóveis à espera de um comprador, em novembro do ano passado, segundo o Secovi-SP (sindicato da habitação). Esses números incluem unidades na planta, em construção e prontas lançadas nos últimos 36 meses.

O vice-presidente de Incorporação e Terrenos Urbanos do Secovi-SP, Emílio Kallas, considera que a oferta ainda está “muito alta”.

— O normal na cidade de São Paulo são 17 mil unidades.

Além de colocar menos empreendimentos no mercado, o desafio é vender as que estão ficando prontas, em um cenário de juros altos e crédito cada vez mais difícil.

O vice-presidente de Operações da construtora PDG, Antonio Guedes, diz que a estratégia tem como foco o bolso do cliente.

— Olhando geral, a média nossa de descontos tem ficado em torno de 13% a 15%. Lógico que se você tem aquela última unidade que voltou, que é lá no primeiro andar, no fundo, não muito boa, vai ter um desconto de 25%. [...] Existe a demanda, a gente fez um ajuste de preço, o imóvel estava ficando pronto e aquele cliente que tinha o dinheiro foi lá e fez um bom negócio.

No ano passado, a PDG não fez lançamentos. Nas 18 construtoras representadas pela Abrainc, os lançamentos caíram 14,5% entre setembro e novembro, em comparação com o mesmo período de 2015. Nesses três meses, elas ofertaram 103.259 unidades, sendo que 20,3% foram vendidas.

Para Luiz Fernando Moura, diretor da Abrainc, o estoque hoje não é preocupante, mas o mercado depende de uma reação positiva da situação econômica brasileira.

— Estamos fazendo um ajuste à demanda, como em qualquer segmento. O que está acontecendo é que há falta de confiança [das pessoas] para firmar um compromisso de longo prazo. É uma consequência do que a gente está vivendo na economia, com taxas de juros mais altas, rigor na concessão de crédito.

Devolução de apartamentos novos por especuladores pode aumentar preços e atrasar entrega

Barganha

Como sempre, quem tem dinheiro guardado para pagar à vista tem mais poder de barganha na hora de adquirir um imóvel. Exemplo disso, segundo o executivo da PDG, essa forma de pagamento em 2015 aumentou.

— 20% de todas as nossas vendas foram à vista. Isso representa um aumento de 75% da venda à vista em relação a 2014.

Os imóveis prontos têm custo para as construtoras, já que depois da entrega precisam arcar com IPTU e condomínio das unidades que não foram vendidas. Guedes diz que, muitas vezes, o valor que seria gasto com isso é repassado na forma de desconto para o cliente.

— Quando fica pronto, a gente faz a conta de quanto vai pagar de IPTU e condomínio para poder dar o desconto. Ou seja, às vezes, fala que está tendo um desconto de 15%, é porque houve essa conta para não ter o gasto no futuro. [...] Mesmo que a construtora pague o condomínio por um determinado período, isso não acaba sendo repassado. O mercado é o patrão. A empresa acaba absorvendo esse custo.

Rodrigo Luna, presidente da Fiabci-Brasil (Federação Internacional Imobiliária), observa a vantagem de adquirir um apartamento que já esteja pronto.

— O que tem acontecido é que boa parte desses imóveis que estão na prateleira das construtoras já estão construídos. Então, o comprador não corre o risco da produção. Então, ele consegue de uma forma bem segura fazer uma boa proposta com dinheiro à vista.

De cada 100 imóveis vendidos, 41 foram devolvidos às construtoras em 2015

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