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Economia Consumidor não sabe quanto paga de juros no cartão e cheque especial

Consumidor não sabe quanto paga de juros no cartão e cheque especial

Usados por mais da metade dos brasileiros, cartão de crédito e cheque especial têm juros desconhecidos por quase 60% da população, diz pesquisa

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Juros do cheque especial batem 288% ao ano

Juros do cheque especial batem 288% ao ano

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Mais da metade da população brasileira (56%) admite já ter ficado com a conta corrente negativa e entrado no cheque especial. Apesar disso, 58% não sabe com precisão quanto paga de juros ao entrar na modalidade de crédito.

O mesmo cenário foi observado em relação aos cartões de crédito, utilizados por 73% dos entrevistados, mas com gastos conhecidos por apenas 41% deles.

Os resultados foram apresentados pela pesquisa “Hábitos financeiros dos brasileiros 2018”, feita pela consultoria Ilumeo em parceria com a Ricam, que ouviu 1.498 brasileiros com idade entre 18 e 60 anos, de todas as classes sociais e regiões do país.

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O sócio-diretor da Ilumeo, Otávio Freire, classifica o desconhecimento dos juros como algo “bastante preocupante” devido à dificuldade de diferenciar os juros simples dos compostos.

“Às vezes, o consumidor até consegue identificar quanto paga por mês de juros no cheque especial, só que ele não tem conhecimento de que, quando ele entra no vermelho em R$ 100 e não volta para o azul, ele pode não ter como compor mais o pagamento da dívida em um curto período de tempo“, explica Freire.

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Os dados mais recentes da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), referentes ao mês de junho, apontam que os juros do cheque especial figuram na cada de 288,35% ao ano. Já no cartão de crédito, os juros do período atingiram os 286,69% ao ano.

Mais atentos

O levantamento do Ilumeo mostra ainda que os consumidores estão mais atentos em relação às compras que fazem. Em quatro anos, cresceu de 36% para 52% a quantidade de entrevistados que anota as maiores aquisições. Por outro lado, despencou de 32% para 16% o número dos que nunca anotam os gastos.

Entre os que detalham as despesas, 41% afirma listar os gastos todos os dias, 32% diz anotar semanalmente e outros 14% têm o hábito uma vez por mês.

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Diante do resultado, Freire avalia os números como “bastante positivos” e afirma que, ao anotar os gastos, as pessoas aperfeiçoam os conhecimentos que têm sobre as próprias contas. “Uma coisa é você saber que tem que poupar. Outra coisa é saber o quanto você ganha, gasta e o valor que sobra para você depois saber como poupar”.