Economia Contratar seguro de celular requer análise da franquia e do valor da apólice

Contratar seguro de celular requer análise da franquia e do valor da apólice

Orientação é que interessado sempre se informe antes sobre os custos em caso de sinistro

  • Economia | Fernando Mellis, do R7

Somandas, apólice e franquia podem chegar a quase metade do preço de um smartphone

Somandas, apólice e franquia podem chegar a quase metade do preço de um smartphone

Thinkstock

Com medo de serem vítimas de assaltantes, donos de smartphones em todo o Brasil começaram a recorrer ao seguro de celular. Porém, os custos do serviço precisam ser bem analisados pelos interessados antes de fechar o seguro.

As empresas exigem o pagamento de franquias que podem chegar a 28% do valor do aparelho e têm critérios rigorosos para arcar com as indenizações. Há casos em que os clientes ficam sem o ressarcimento (veja quadro comparativo abaixo).

A estudante Camila Vieira Damasceno leu o contrato antes de aceitar o seguro para o iPhone 5S, em novembro do ano passado. Porém, quando foi assaltada, soube que teria que desembolsar mais do que imaginava.

— No contrato do seguro, falava que a franquia era de 25% do valor do aparelho em uma tabela da Vivo, que eu não tive conhecimento até ser assaltada. Paguei R$ 2.000 no meu celular, mas quando fui descobrir, o valor dele na tabela da operadora, era R$ 2.800.

Para ter o aparelho de volta, a estudante teve que pagar mais de R$ 700. A mensalidade do seguro custava R$ 25. Além disso, a jovem teve outro problema.

— O meu aparelho era dourado e eles queriam me dar um preto. Falaram que só indenizam com tecnologia e não estética. No contrato, não tem nada falando sobre isso.

Camila teve que fazer uma queixa no site Reclame Aqui para que a empresa se dispusesse a entregá-la um aparelho dourado. Porém, todo esse processo já leva mais de duas semanas e sem previsão de quando ela terá o celular de volta.

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O gerente-técnico do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), Carlos Thadeu de Oliveira, orienta que os interessados nos seguros para celular devem estar cientes de eventuais problemas.

— A reparação desse sinistro não é rápida. Se o consumidor entende que está fazendo isso com uma finalidade de não ter transtorno, eu acho que ele tem que pensar muito bem antes de fazer o seguro. Não tenho conhecimento de indenizações rápidas.

Antes do último assalto, Camila tinha outro seguro e também foi roubada. Naquela ocasião, a resposta da empresa demorou dois meses.

Avaliação de alguns seguros feita pela reportagem do R7 mostra que há casos em que a franquia somada ao valor pago pelo seguro chega a 45% do valor do aparelho. O gerente-técnico do Idec diz que o consumidor precisa colocar esses custos na balança. 

O vice-presidente do Sincor-SP (Sindicato dos Corretores de Seguro no Estado de São Paulo), Boris Ber, explica sobre a necessidade dessa coparticipação do cliente.

— A franquia é importante porque ela estimula o segurado a cuidar do bem. Se ele sabe que vai ter que participar também, ele vai ter mais cuidado. O seguro é feito para repor o bem e não para quem alguém tenha lucro.

Camila diz que pretende contratar um seguro para o celular novo. Mas já decidiu que vai procurar outra empresa. 

— Por já ter sido roubada, eu não me arrependi do seguro, por mais que tenha sido caro. Mas eu não voltaria a fazer com a Vivo. Vou procurar outro seguro que atenda mais as minhas expectativas.

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