Economia Crescimento da economia do Brasil passou de 7,5% para recessão técnica em quatro anos 

Crescimento da economia do Brasil passou de 7,5% para recessão técnica em quatro anos 

Em 2011, ministro Mantega imaginou PIB de, em média, 5,9% para os quatro anos de mandato

  • Economia | Alexandre Garcia, do R7

Previsões de Mantega foram mais otimistas que a realidade

Previsões de Mantega foram mais otimistas que a realidade

André Dusek/03.01.2014/Estadão Conteúdo

Após fechar o ano de 2010 com expansão de 7,5% — maior avanço em 24 anos, a economia brasileira não seguiu com o mesmo desempenho nos anos seguintes, de acordo com os dados divulgados a cada três meses pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O R7 reuniu todos os dados de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) — soma de todas as riquezas produzidas no País — ao longo dos últimos três anos e meio e comparou com as previsões realizadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele não deve continuar no cargo caso a presidente Dilma Rousseff seja reeleita.

Em 2011, na primeira reunião ministerial, com menos de 15 dias do novo governo, o ministro projetou crescimento de, em média, 5,9% para os próximos quatro anos. Os números, porém, não foram atingidos em nenhum deles.

2011

Nos primeiros três meses daquele ano, o avanço do PIB, anunciado pelo IBGE, foi de 1,3%, valor que ultrapassava as expectativas do governo. Entretanto, meses mais tarde, os dados foram revisados e o crescimento da economia nacional no período foi de 0,8%.

No trimestre seguinte, os dados foram novamente divulgados de forma incorreta. A expansão, inicialmente de 0,8%, foi revisada para 0,5% meses depois. Ao comentar o resultado errado, o ministro Mantega já avaliava uma desaceleração para aquele ano.

— No terceiro trimestre, devemos ficar próximos do nível do segundo trimestre e caminhamos para um PIB mais próximo de 4% do que de 4,5% [em 2011].

No terceiro trimestre de 2011, o PIB não apresentou crescimento em relação aos três meses anteriores. Para Mantega, a desaceleração da economia brasileira era passageira. O resultado, porém, fez ele descartar a possibilidade do crescimento chegar aos 3,8%.

O resultado do quarto trimestre também não foi satisfatório e o País teve novamente uma variação de 0% em relação ao período anterior. Apesar dos dados negativos, o PIB brasileiro apresentou um crescimento de 2,7% em 2011. No mesmo dia, o ministro avaliou o crescimento como “satisfatório”, culpou a crise financeira e projetou alta da economia brasileira de até 5% para 2012. Em junho de 2013, o ministro admitiu ter feito projeções equivocadas para aquele ano.

O PIB de 2011, considerado por muitos como um “pibinho”, foi o maior avanço apresentado nos três primeiros anos do governo.

2012

Um dia após a divulgação do PIB do primeiro trimestre, o ministro Mantega destacou o avanço da produção industrial que havia voltado a crescer. Por outro lado, o destaque negativo daquela primeira divulgação ficou por conta do setor agropecuário, que recuou 7,3% na comparação com o período anterior.

No segundo trimestre daquele ano, o crescimento apontado pelo IBGE foi de 0,4%. Mesmo com o resultado baixo, o ministro continuava otimista com o crescimento para os meses seguintes.

Mantega voltou a errar ao projetar crescimento em, pelo menos, 1% para os três meses seguintes. O avanço do período foi de apenas 0,6%. O ministro comentou o erro somente três dias após a divulgação oficial. Na ocasião, ele voltou a dizer que a crise havia prejudicado os investimentos, mas enfatizou que a retomada de crescimento já havia começado.

— Qualquer economista iniciado sabe que em períodos de crise o investimento é o primeiro a se retrair e o último a voltar, depois que o consumo e a indústria reaceleram. 

O PIB naquele ano, de 0,9%, foi considerado baixo por Mantega. Apesar disso, o ministro disse que o fraco desempenho da economia não atingiu a população.

2013

Após um crescimento de apenas 0,9% ao longo de 2012, Mantega afirmou que ouviria os empresários para evitar um novo resultado baixo para o PIB de 2013.

Naqueles três primeiros meses do ano, o crescimento foi de apenas 0,2% e o resultado da conversa parece ter surtido efeito e o avanço do PIB de 2,1% no segundo trimestre superou as expectativas dos analistas e do governo.

Para o ministro, o resultado poderia melhorar as expectativas para os próximos meses e atrair mais investimentos ao País.

O crescimento do segundo trimestre não seguiu no período seguinte e foi revertido em um recuo de 0,5% (revisado para -0,6%) no terceiro período do ano. Ao comentar o resultado, Mantega afirmou que houve um crescimento de 2,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior. No final daquele ano, meses antes da divulgação oficial de crescimento brasileiro, ele afirmou que o País estava se recuperando.

No consolidado de 2013, a economia brasileira cresceu 2,3%. Apesar da expansão menor do que a média mundial, o ministro observou o resultado como uma recuperação efetiva.

2014

Os resultados deste ano não são nada bons para o ministro. Mantega se mostrou insatisfeito com o crescimento de 0,2% anunciado para os primeiros três meses do ano.  Ele lamentou e disse que era necessário aumentar o consumo para a economia voltar a crescer.  

O que o responsável pela Fazenda não sabia era que os dados seriam revisados para -0,2% junto com a divulgação do segundo trimestre (-0,6%). Os dois resultados negativos seguidos fizeram o Brasil entrar em uma situação de recessão técnica, o que não ocorria desde o início de 2009.

O ministro também negou a recessão e mencionou a crise internacional como um dos principais motivos para os dois resultados negativos. Os economistas ouvidos pelo R7, por sua vez, comentaram que o País passa por um momento de estagnação.

Após os resultados, a expectativa pelos mais diversos órgão nacionais e internacionais é de que o Brasil não cresça mais do que 0,5%. Para o FMI, o resultado deve ser de apenas 0,3%. Já os economistas consultados pelo Banco Central vêm alta de 0,27% para o PIB deste ano.

Contrariando as perspectivas, Mantega ainda espera por um crescimento de 0,9% para este ano.

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