Deutsche Bank tem prejuízo acima do esperado com custos de reestruturação

Por Tom Sims e Patricia Uhlig

FRANKFURT (Reuters) - O Deutsche Bank registrou um prejuízo de 5,7 bilhões de euros em 2019, acima do esperado e marcando o quinto ano consecutivo de resultados negativos, com a última linha do balanço afetada pelos custos relacionadas à reestruturação do banco alemão.

    Escândalos de má conduta, uma tentativa fracassada de enfrentar pesos pesados ​​de Wall Street e, mais recentemente, uma fusão fracassada com o Commerzbank significam que o maior banco da Alemanha ainda está em modo de recuperação mais de uma década depois da crise financeira global.

    A tentativa mais recente, sob o comando do presidente-executivo Christian Sewing, é um movimento de 7,4 bilhões de euros para cortar 18 mil empregos, encolher seu banco de investimentos e focar na divisão corporativa e de private banking.

    Mas seus esforços estão sendo minados por uma economia global vacilante e taxas de juros ultrabaixas na zona do euro.

    "Nossa nova estratégia está ganhando força", disse Sewing nesta quinta-feira, observando, entre outros fatores, que as receitas se estabilizaram no segundo semestre de 2019, o corte de custos estava no caminho certo e a posição de capital do banco melhorou.

    O prejuízo de 1,6 bilhão de euros no quarto trimestre, porém, foi maior do que a previsão média de analistas de 1 bilhão, fazendo com o que o resultado do ano inteiro ficasse aquém do prejuízo estimado no mercado de 5 bilhões de euros.

    Os resultados concluem uma década turbulenta para a Deutsche, incluindo um prejuízo acumulado de 15 bilhões de euros nos últimos cinco anos e uma desvalorização de mais de 80% nas ações ao longo da década. 

    'NA OFENSIVA'

    Para analistas e investidores, a capacidade do Deutsche de gerar receita tem sido uma grande preocupação. O banco cortou repetidamente suas previsões.

    A receita caiu 4% no quarto trimestre, para 5,3 bilhões de euros, e encolheu 8% no ano, para 23,2 bilhões de euros.

    O número trimestral incluiu uma queda de 5% na divisão corporativa e um declínio de 4% no private banking. O braço de negociação de títulos do banco de investimento teve um salto de 31%, uma grande melhoria nas recentes quedas trimestrais, mas menos do que ganhos em alguns bancos dos Estados Unidos.

    O Deutsche estima uma receita anual de 24,5 bilhões de euros até 2022.

    Sewing disse que o banco estava sentindo os benefícios de seu plano de reestruturação este mês e estava otimista em relação a 2020.

    "Vamos mudar nosso foco para o crescimento. Não queremos apenas defender nossa posição no mercado; queremos aproveitar isso", disse o executivo.

    "Vamos para a ofensiva e pretendemos sustentá-la. Mas não em todos os lugares, apenas nas áreas em que somos relevantes e temos uma posição de liderança."

    O Deutsche disse que estava fazendo um bom progresso na redução de custos, outro foco para os investidores, reduzindo o número global de funcionários em mais de 4.100 no ano passado, para 87.597.

    O banco disse na quarta-feira que reduziria pela metade os bônus de 2019 para membros individuais do conselho, e disse à equipe nesta semana que atrasaria os aumentos de salário em alguns meses.

    Agora em seu 150º ano, o Deutsche é considerado um dos bancos mais importantes do sistema financeiro global, mas foi atingido por uma série de escândalos de má conduta.

    Buscando reparar as relações com a Alemanha e o público em geral, na semana passada, foi nomeado para seu conselho de supervisão o ex-ministro do governo alemão Sigmar Gabriel, que criticou o banco por um modelo de negócios baseado em especulações.

(Reportagem de Tom Sims, Patricia Uhlig e Hans Seidenstuecker; reportage adicional de Matt Scuffham em Nova York)