Economia Dívida pública cai 0,7% em setembro; custo das emissões sobe

Dívida pública cai 0,7% em setembro; custo das emissões sobe

Tesouro afirma que os leilões realizados ao longo do mês refletiram o movimento da curva de juros, com aumento de emissões

Reuters
Dívida pública federal cai 0,7% em setembro, custo das emissões sobe

Dívida pública federal cai 0,7% em setembro, custo das emissões sobe

Marcos Santos/USP Imagens

A dívida pública federal do Brasil caiu 0,68% em setembro sobre agosto, a R$ 5,443 trilhões, informou o Tesouro Nacional nesta quarta-feira (27), num mês marcado por encarecimento das emissões em meio aos temores de deterioração nas contas públicas.

No PAF (Plano Anual de Financiamento), a perspectiva é que a dívida geral feche 2021 entre R$ 5,5 trilhões e R$ 5,8 trilhões.

Em setembro, a dívida pública mobiliária interna teve recuo de 0,98%, a R$ 5,186 trilhões, em função do resgate líquido de R$ 90,26 bilhões ocorrido no mês, que compensou a apropriação positiva de juros de R$ 38,72 bilhões.

Enquanto isso, a dívida externa cresceu 5,83% sobre agosto, a R$ 257,70 bilhões, num mês de forte avanço do dólar frente ao real, embalado por temores de flexibilização fiscal relacionada ao auxílio aos mais vulneráveis.

Em apresentação, o Tesouro afirmou que os leilões realizados ao longo do mês refletiram o movimento da curva de juros, com aumento no custo das emissões.

O custo médio das emissões em oferta pública da dívida interna subiu a 6,9% ao ano, de 6,4% em agosto, ao passo que o custo médio do estoque da dívida total acumulado em 12 meses avançou a 7,8%, de 7,6% no mês anterior.

O movimento na curva de juros prosseguiu neste mês, especialmente após o governo reconhecer que mirava um drible na regra do teto de gastos para acomodar uma expansão temporária do novo Bolsa Família, que valerá apenas para o ano que vem.

Em mensagem, o Tesouro destacou que "voltou a ajustar as suas emissões em função das condições de mercado, optando por reduzir os lotes em momentos de maior volatilidade" em meio à percepção de maior risco fiscal.

Em gráfico, o Tesouro apontou que o CDS, que mede o risco associado ao país, subiu quase 11% em outubro, na contramão da queda observada em países emergentes como Chile, México, Colômbia e Peru.

Dados de setembro

Em relação aos detentores, a participação dos investidores estrangeiros na dívida mobiliária interna subiu a 10,1% em setembro, sobre 9,8% no mês anterior.

Já quanto à composição, os títulos que variam com a Selic, representados pelas LFTs, continuaram com maior peso na dívida pública federal, a 33,95% do total, abaixo dos 36,11% de agosto. No PAF, o intervalo fixado para o ano é de 33% a 37%.

Os títulos prefixados avançaram a 32,58% da dívida, ante 31,86% no mês anterior, frente a uma meta de 31% a 35% para 2021.

Os papéis indexados à inflação, por sua vez, elevaram a fatia a 28,48% da dívida total, ante 27,35% em agosto, sendo que a referência para este ano é de 26% a 30%.

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