Greve dos Caminhoneiros

Economia Divididos, caminhoneiros ameaçam parar nesta segunda; governo nega

Divididos, caminhoneiros ameaçam parar nesta segunda; governo nega

Bolsonaro fez apelo à categoria, reajustou frete e zerou tarifa de importação de pneus na tentativa de barrar paralisação

Greve pode ser maior do que a de 2018, avalia associação

Greve pode ser maior do que a de 2018, avalia associação

Fotoarena/Folhapress - 18.06.2018

As medidas tomadas pelo governo federal na tentativa de impedir uma nova greve dos caminhoneiros não agradaram toda a categoria, que ameaça cruzar os braços a partir desta segunda-feira (1º). A paralisação seria motivada pelos aumentos do óleo diesel e o descumprimento do valor mínimo do frete.

O presidente da ANTB (Associação Nacional do Transporte Autônomos do Brasil), José Roberto Stringasci, estima que a greve poderá ser maior do que a realizada em 2018. “Nós estamos apoiando a categoria, os motoristas autônomos e os nossos sócios, que estão penando e sofrendo”, afirma ele, que representa cerca de 4.500 motoristas.

“A greve é uma forma de expressar nosso grito de dor e manifestar que não estamos mais aguentando”, declara o líder dos caminhoneiros autônomos Marconi França, que lamenta os “desrespeitos” às conquistas da categoria relacionadas às leis que estabelecem piso mínimo do frete, vale-pedágio e direito a estadia. “Vamos reivindicar aquilo que é nosso por direito.”

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Na contramão de França e Stringasci, o presidente da Fenacat (Federação Nacional das Associações de Caminhoneiros e Transportadores), Luiz Carlos Neves, diz que não há nada de concreto a respeito da paralisação. "Esse pessoal que está provendo essa greve tenta usar o caminhoneiro como massa de manobra para desestabilizar o governo", avalia ele, que garante não ter recebido manifestações a favor do movimento de nenhuma associação filiada.

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro fez um apelo na tentativa de impedir a paralisação. “Não façam isso. Todos nós vamos perder. Você vai causar um transtorno na questão da economia, porque estamos vivendo uma época de pandemia”, pediu ele.

Após o início dos rumores, governo aumentou, de 2,34% para 2,51%, os preços mínimos de frete rodoviário, zerou a tarifa de importação de pneus para transporte de cargas e, inclusive, incluiu os caminhoneiros no grupo de prioridades para o recebimento das vacinas contra covid-19.

Ao comentar o reajuste no valor do frete, o presidente da Abrava (Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores), Wallace Landim, o Chorão, avaliou que a medida seria insuficiente para impedir a greve

Para França, as recentes sinalizações de Bolsonaro demonstram que ele tem conhecimento dos problemas enfrentados pelos motoristas. “Mais de 90% dos caminhoneiros fecharam com esse cara, ajudaram na eleição dele e, depois de eleito, ele virou as costas para a categoria”, avalia ele.

A CNT (Confederação Nacional do Transporte) diz que não apoia nenhum tipo de paralisação de caminhoneiros e assume compromisso do setor transportador com a sociedade. "Se houver algum movimento dessa natureza, as transportadoras garantem o abastecimento do país, desde que seja garantida a segurança nas rodovias", destaca a entidade.

Em nota, o Ministério da Infraestrutura afirma que "não há uma única entidade de classe representativa para falar em nome do setor do transporte rodoviário de cargas autônomo" e avalia que declarações feitas em relação à categoria correspondem a "posições isoladas".

“Nenhuma associação isolada pode reivindicar para si falar em nome do transportador rodoviário de cargas autônomo e incorrer neste tipo de conclusão compromete qualquer divulgação fidedigna dos fatos referentes à categoria”, destaca a pasta, que diz manter uma “agenda permanente de diálogo com as principais entidades representativas da categoria”.

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