Dólar cai a R$ 5,23, mas acumula alta de 2,9% durante a semana

Nova valorização semanal faz moeda norte-americana acumular ganho de quase 30,5% no acumulado de 2020

Dólar caiu 0,39% nesta sexta-feira

Dólar caiu 0,39% nesta sexta-feira

Rick Wilking/Reuters

O dólar fechou em queda ante o real nesta sexta-feira (17), mas acumulou firme ganho na semana, marcada pela divulgação de dados em todo o mundo que destacaram a profundidade da recessão global.

No fechamento da sessão, a moeda norte-americana caia 0,39%, negociada a R$ 5,2359 na venda. Na semana, a divisa ganhou 2,85%.

Já no acumulado das últimas 16 semanas deste ano, o dólar subiu em 14, caindo em apenas duas. Em 2020, a moeda norte-americana acumula valorização de 30,48%.

A divulgação de que a China registrou a primeira contração trimestral de seu PIB (Produto Interno Bruto) desde pelo menos 1992 se uniu a dados bastante negativos na quarta e quinta-feira nos Estados Unidos. Os países são as duas maiores economias do mundo.

Os relatórios foram divulgados na mesma semana que o FMI (Fundo Monetário Internacional) previu que a economia global sofrerá neste ano a maior contração desde a década de 1930, com o Brasil devendo amargar a maior retração desde pelo menos 1962.

Períodos de recessão aumentam a demanda por ativos seguros, o que acaba valorizando o dólar.

Para Joaquim Kokudai, gestor na JPP Capital, mesmo considerando a recessão global, o preço do dólar no Brasil parece estar excessivamente alto. "Acho que não temos tanto espaço para queda de juros, mas de toda forma ainda está difícil ter uma clareza de quando voltamos ao normal", disse.

Em teoria, uma interrupção no processo de cortes de juros poderia dar suporte ao real, já que evitaria nova queda nas taxas de títulos de renda fixa, que, assim, teriam mais chance de atrair capital externo.

Na avaliação do gestor, o que o Banco Central pode fazer agora é continuar ofertando liquidez via leilões de câmbio e deixar a Selic estável. O juro básico está na mínima histórica de 3,75% ao ano.