Economia Dólar despenca 2,7% e fecha a terça-feira negociado a R$ 5,32

Dólar despenca 2,7% e fecha a terça-feira negociado a R$ 5,32

Queda da moeda norte-americana ainda não reverte o ganho de 5,1% registrado na semana passada

Reuters
Dólar teve a maior baixa diária desde 12 de janeiro

Dólar teve a maior baixa diária desde 12 de janeiro

Yuriko Nakao/Reuters

Uma forte descompressão de risco derrubou o dólar nesta terça-feira (26), com o real de longe liderando os ganhos nos mercados globais de câmbio, em dia positivo para ativos de risco no mundo, de defesa de regras fiscais no Brasil e de maior possibilidade de alta de juros o quanto antes.

Na sessão, a moeda norte-americana fechou em queda de 2,71%, a R$ 5,3231. É a maior baixa percentual diária desde 12 de janeiro (-3,32%) e ocorre após a moeda saltar 5,1% em seis pregões até a sexta-feira passada, movimento que deixou o real mais atrasado em relação a seus pares.

No exterior, o dólar caía 0,2% ante uma cesta de moedas, mas tinha recuo bem mais forte ante rivais emergentes. O real encabeçou a lista de ganhos no dia, seguido por rand sul-africano (+1,1%), lira turca (+0,9%) e peso mexicano (+0,7%), pares próximos do real. Mas a forte valorização do real teve respaldo também no noticiário doméstico sobre a agenda fiscal e a vacinação contra a covid-19.

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A redução dos prêmios no câmbio "conversou" com movimento semelhante no mercado de juros futuros, em que as taxas de DI de longo prazo caíram cerca de 17 pontos percentuais. Analistas disseram que o tom mais duro do BC (Banco Central) sobre a inflação ditou a dinâmica nos dois mercados e influenciou a queda de 0,66% do Ibovespa no fim desta tarde.

O mercado de ações é dos que mais se beneficiam de juros baixos, já que uma política monetária expansionista torna os papéis da bolsa mais atrativos ante a renda fixa.

Profissionais do mercado financeiro começaram a antecipar suas projeções de aumento de juros após a divulgação nesta terça-feira da ata da última reunião de política monetária do BC, considerada por analistas ainda mais dura com a inflação do que o comunicado da semana passada. A impressão, comentou-se nas mesas de operações, é que o BC está "correndo atrás do mercado".

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, deve falar em evento do Credit Suisse em breve. "A ata (do Copom) veio ainda mais 'hawkish' que o comunicado", disse o Citi em nota. "Acreditamos que o ciclo de alta de juros por vir dará algum suporte ao real", acrescentou o banco.

Segundo analistas, um dos motivos para a pressão sobre o real nos últimos tempos é o juro em patamar muito baixo, que deixa a moeda mais vulnerável a operações de hedge ou de financiamento para apostas em outras divisas.

O spread entre as taxas de NDF de dólar/real de um ano e de curtíssimo prazo --uma medida do retorno da moeda brasileira — subiu a 2,78% nesta terça, maior patamar desde 29 de dezembro. Mas é preciso lembrar que, no fim do ano, as cotações podem ficar distorcidas por queda na liquidez. Quanto maior essa diferença, mais caro fica apostar contra o real.

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