Economia Dólar fecha a segunda-feira em alta e passa a ser negociado a R$ 5,32

Dólar fecha a segunda-feira em alta e passa a ser negociado a R$ 5,32

Após cair mais de 1% no começo da sessão, a moeda norte-americana reverteu a baixa com investidores buscando por mais proteção

  • Economia | Do R7

Dólar oscilou entre R$ 5,2626 e R$ 5,358 na sessão

Dólar oscilou entre R$ 5,2626 e R$ 5,358 na sessão

Thomas White/Reuters - 22.6.2017

O dólar fechou em alta ante o real nesta segunda-feira (6), depois de chegar a cair mais de 1% no começo do pregão, com investidores buscando proteção na moeda dos EUA diante do menor custo de hedge no mercado doméstico.

Na sessão, a cotação da moeda norte-americana teve alta de 0,59%, a R$ 5,3521, devolvendo a queda da sessão anterior. Ao longo do dia, a divisa oscilou entre baixa de 1,09%, para R$ 5,2626, e alta de 0,7%, a R$ 5,358.

O dólar subiu a despeito de um dia positivo nos mercados externos, embalados por otimismo com dados na China e nos Estados Unidos.

Operadores voltaram a citar o trade "compra de bolsa/compra de dólar" que deu a tônica nos vários meses recentes, já que o hedge via câmbio está mais barato com a Selic nas mínimas históricas. O Ibovespa fechou em alta de mais de 2% nesta segunda-feira (segundo dados preliminares), chegando a superar os 99 mil pontos, o que não ocorria desde março.

O juro baixo é visto como suporte à recuperação da atividade econômica, mas por outro lado torna o real uma moeda menos atrativa em relação a seus pares. A melhora da economia poderia fortalecer o balanço das empresas, elevando os preços das ações, mas o juro nas mínimas manteria o real sob pressão, especialmente diante do aumento de preocupações fiscais.

Veja gráficos das médias móveis de 200 dias do Ibovespa, do dólar e a taxa Selic. O Ibovespa e o dólar costumam andar em direções opostas, mas a partir do começo de 2018, quando o juro bateu mínimas, passaram a subir juntos.

Pesquisa Focus do Banco Central divulgada mais cedo mostrou estimativa de contração de 6,5% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano. Contudo, houve ligeira melhora em relação à taxa de -6,54% da semana passada. Ainda de acordo com a sondagem, o mercado espera dólar de R$ 5,20 ao fim de 2020, pela mediana das projeções.

Na semana passada, o Itaú Unibanco piorou a estimativa para os déficits primários no Brasil em 2020 e 2021, citando despesas com auxílio emergencial neste ano e aumento de gastos sociais no ano que vem. O Itaú vê o dólar a R$ 5,75 ao fim de 2020.

Mas mesmo o cenário para a economia, a despeito de dados recentes acima do esperado, segue turvo, por causa da pandemia. "Alguns elementos sugerem que o Brasil pode estar embarcando em um processo prematuro de abertura, aumentando os riscos de que o controle do surto de covid-19 acabe demorando mais tempo. Isso implica riscos de queda para nossas previsões fiscais/de crescimento", disseram analistas do Citi em nota.

Na véspera, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a falar sobre o combo juro baixo/câmbio desvalorizado como nova realidade para a economia brasileira.

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