Economia Dólar fecha acima de R$ 5,40, maior valor desde maio

Dólar fecha acima de R$ 5,40, maior valor desde maio

O dólar à vista subiu 0,88%, a R$ 5,4231 na venda, maior valor desde 4 de maio (R$ 5,4322)

Reuters
O dólar à vista subiu 0,88%, a R$ 5,4231 na venda

O dólar à vista subiu 0,88%, a R$ 5,4231 na venda

Agência Brasil

O dólar escalou mais um degrau ao fechar nesta quinta-feira (18) acima de R$ 5,40, um dia após se firmar acima de R$ 5,30 e pulverizar uma série de níveis de resistência técnica, com a força da moeda no exterior por incertezas sobre a política monetária nos EUA e covid-19 se somando ao contínuo desconforto na cena doméstica.

O dólar à vista subiu 0,88%, a R$ 5,4231 na venda, maior valor desde 4 de maio (R$ 5,4322).

A cotação se manteve em alta praticamente durante todo o pregão. Na máxima, alcançada ainda no começo dos negócios, foi a R$ 5,4568 (+1,50%) e na mínima, tocada por volta de 14h30, operou brevemente em queda de 0,08%, a R$ 5,3801.

Lá fora, a alta do dólar era generalizada, com a moeda dos EUA ganhando terreno ante 31 de 33 pares.

De forma geral foi o exterior que deu o tom da formação de preço da taxa de câmbio nesta sessão, com investidores dando sequência a um movimento iniciado já no fim do pregão da véspera, quando o dólar aqui acelerou a alta seguindo a piora de humor em Wall Street pelo entendimento de que o banco central dos EUA estaria mais próximo de anunciar corte de estímulos, talvez já em setembro.

O índice do dólar frente a uma cesta de divisas fortes subia 0,36% no fim da tarde, indo a máximas em nove meses. Rand sul-africano, coroa norueguesa, dólar canadense e dólar australiano, divisas correlacionadas às matérias-primas, cediam entre 1% e 1,8%.

Mas o mal-estar local persistiu, impedindo que o dólar experimentasse alguma correção depois da disparada da véspera, o que seria um movimento esperado. Nesta quinta, falas dos dois mais importantes membros da equipe econômica serviram de marcador dos riscos atuais.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o pagamento de R$ 90 bilhões em precatórios no Orçamento do ano que vem não é exequível. Já o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que ruídos envolvendo questões locais têm afetado as projeções de crescimento do PIB para 2022 e também as expectativas de inflação, processo que, frisou, está sendo acompanhado de perto pelo Bacen.

"Está ficando cada vez mais difícil achar uma luz no fim do túnel", disse Leon Abdalla, analisa de Investimentos da Rio Bravo. "Pior do que a pontualidade dos precatórios ficarem extra-teto é uma abertura de margem para colocar qualquer coisa fora do teto, bem ao estilo 'passa boi, passa boiada'", completou.

Na véspera, o dólar spot saltou 2,04%, maior alta desde o fim de julho, impulsionado por temores fiscais que, por sua vez, provocaram uma onda de contenção de perdas no mercado de juros que fez as taxas de DI dispararem mais de 40 pontos-base no fim da tarde.

Dados da B3 mostraram que estrangeiros e fundos de investimento aumentaram na quarta-feira, conjuntamente, posições líquidas compradas em dólar (vendo alta da moeda) em US$ 921 milhões, considerando mercados futuro, de cupom cambial e swap cambial.

Nesta quinta, os DIs longos caíram até 17 pontos-base, devolvendo menos da metade do ganho de prêmio do dia anterior.

A exemplo da quarta, o Banco Central se manteve sem realizar ofertas líquidas de dólares, e nas falas desta quinta Campos Neto não mencionou o tema câmbio.

"Atuar agora seria como enxugar gelo, porque o problema é fora do BC. Mas se houver uma comunicação mais acertada do governo sobre o fiscal, que aliás foi um pedido do Campos Neto, e mesmo assim o dólar continuar pressionado, aí, sim, acredito que o BC intervirá", afirmou Abdalla, da Rio Bravo.

À Reuters, Fabio Zenaro, diretor de Produtos de Balcão e Novos Negócios da B3, disse que o movimento de compra de dólar visto ao longo deste ano deve perdurar, uma vez que vários eventos de risco se acumulam, entre eles a expectativa pela eleição presidencial no Brasil em 2022 e pela redução de estímulos nos Estados Unidos.

Dados da bolsa revelaram que empresas de comércio exterior compraram, em termos líquidos, mais de 29 bilhões de dólares de janeiro e julho em contratos a termo sem entrega física (NDF, na sigla em inglês) negociados na B3.

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