Dólar salta a R$ 4,16 e fecha na máxima em três semanas

Valorização de 0,89% da moeda norte-americana ocorreu em meio a investidores buscando a moeda para proteger posições em outros mercados

Dólar deu maior salto desde o dia 7 de outubro

Dólar deu maior salto desde o dia 7 de outubro

Pixabay

O dólar voltou a subir forte ante o real nesta terça-feira (15), cotado a R$ 4,46, maior valor de fechamento em três semanas, com investidores buscando a moeda norte-americana para proteger posições em outros mercados brasileiros.

Na sessão, a moeda norte-americana subiu 0,89%, a R$ 4,1653 na venda. É o maior nível para um encerramento desde 24 de setembro (R$ 4,1695 na venda). A valorização diária é a mais intensa desde 7 de outubro (+1,17%).

A performance mais fraca do real neste pregão deu sequência a movimento similar visto desde meados da semana passada, quando o mercado fortaleceu apostas de corte da Selic depois de o Brasil ter registrado inesperada deflação em setembro.

Com o cenário inflacionário adquirindo contornos ainda mais benignos, cresce a expectativa de corte de juros, o que por tabela reduz o retorno das aplicações em real, desestimulando atração de capital para a renda fixa.

Contratos de juros futuros embutiam nesta sessão 96% de chance de redução de 0,5 ponto percentual na reunião de política monetária do Banco Central no fim de outubro e 86% de probabilidade de alívio na mesma magnitude na decisão de dezembro. A Selic está atualmente na mínima histórica de 5,5% ao ano.

Desde 9 de outubro — quando o IBGE divulgou inesperada deflação no Brasil em setembro —, o real se desvalorizou 0,89% ante o dólar (até dia 14), enquanto o índice MSCI para moedas emergentes subiu 0,69% no mesmo período.

"O ciclo de cortes de juros no Brasil é um risco de primeira ordem à força do real", disseram em nota Kamakshya Trivedi e Davide Crosilla, estrategistas do Goldman Sachs. Eles ainda mantêm recomendação comprada (apostando na alta) em real, mas financiada não em dólar ou euro, mas em peso chileno — numa indicação da fragilidade de apostas na moeda doméstica.

"De forma geral, os riscos às posições compradas em real aumentaram e as notícias positivas de China-EUA diminuíram algumas pressões sobre o peso chileno", afirmaram.

Dados do BofA mostram que o diferencial de "carry" (retorno) pago pelo real é de pouco mais de 2%, bem atrás do de pares emergentes como peso mexicano (quase 6%), rupia indiana (5%), rupia indonésia (5%), rublo russo (perto de 5%) e rand sul-africano (também próximo de 5%).

O dólar à vista subiu 0,89%, a R$ 4,1653 na venda, nesta terça-feira. É o maior nível para um encerramento desde 24 de setembro (R$ 4,1695 na venda). A valorização diária é a mais intensa desde 7 de outubro (+1,17%).