Dólar sobe a R$ 4,17 e renova máxima em mais de 3 semanas

Alta de 0,39% da moeda foi guiada por incertezas sobre a oferta do dólar no Brasil, que foi novamente destaque negativo nos mercados globais

Dólar marcou R$ 4,18 na máxima da sessão

Dólar marcou R$ 4,18 na máxima da sessão

Jose Luis Gonzalez/Reuters - 12.2.2018

O dólar voltou a subir e bateu o pico de fechamento em mais de três semanas nesta quinta-feira (17), com o real sendo novamente destaque negativo nos mercados globais diante de incertezas sobre a oferta de moeda no país.

No fechamento da sessão. a moeda norte-americana registrava alta de 0,39%, a R$ 4,1702 na venda. É o maior valor para um encerramento desde 23 de setembro (R$ 4,1709 na venda).

Em Washington, no encontro anual do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial, o presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, disse que pode comprar dólares caso o fluxo de moeda na esteira dos leilões de petróleo a ocorrerem até o fim do ano gere distorções no mercado, segundo relatos de profissionais de mercado.

O dólar ganhou impulso e bateu a máxima do dia, de R$ 4,1825 na venda, após esse rumor circular no mercado. Um profissional avaliou que a interpretação da suposta fala de Campos Neto depende do contexto em que foi feita, questionando o entendimento inicial de que o BC venha a comprar dólares independe de causar distorções no mercado.

Os relatos da fala causaram ruído uma vez que o fluxo cambial no país segue negativo — o saldo em 12 meses até setembro é o pior em 20 anos — e o mercado deposita nos leilões do pré-sal esperanças de alguma melhora na oferta de dólar.

O mau desempenho do real também foi creditado outra vez ao aumento de apostas de afrouxamento monetário ainda mais agressivo pelo BC — o que reduziria ainda mais o apetite pela moeda doméstica e, por tabela, as chances de fluxo estrangeiro.