Dólar sobe a R$ 5,45, mesmo após intervenções do Banco Central

Alta de 0,7% da moeda norte-americana acontece em meio a incertezas com mudanças na equipe econômica do governo

BC fez duas intervenções no mercado de câmbio

BC fez duas intervenções no mercado de câmbio

Pixabay

O dólar fechou em alta ante o real nesta quarta-feira (12), com a moeda brasileira entre os piores desempenhos globais na sessão. Ao fechamento da sessão, a moeda norte-americana avançava 0,7%, a R$ 5,4526.

A valorização do dólar ocorre em meio a incertezas sobre a capacidade de a equipe econômica tocar pautas reformistas em meio a insatisfação interna que causou "debandada" no Ministério da Economia com os pedidos de demissão de dois secretários especiais da pasta.

Segundo o próprio ministro Paulo Guedes, os pedidos de demissão de Salim Mattar (Desestatização) e Paulo Uebel (Desburocratização) foram feitos pela insatisfação dos dois com o andamento das privatizações e da reforma administrativa.

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"No geral, depois de considerar os obstáculos para avançar com qualquer reforma estrutural desde que a covid-19 se tornou a principal prioridade no Congresso, essas renúncias não são grandes surpresas", avaliou o Citi em nota.

"A principal sinalização a ser monitorada a partir de agora é se Paulo Guedes vai substituir ambos os secretários por perfis semelhantes, indicando [ou não] se a interrupção da agenda de privatizações/reforma administrativa é apenas temporária", completou o banco.

Atuação do BC

O evidente descolamento do real neste pregão chamou o BC ao mercado. A autoridade monetária fez dois leilões de contratos de swap cambial — um no fim da manhã e outro no meio da tarde, com venda integral do lote somado de 20 mil contratos (US$ 1 bilhão).

A última oferta líquida de swaps cambiais tradicionais --cuja colocação equivale à venda de dólares no mercado futuro-- havia ocorrido em 19 de maio, de US$ 500 milhões. Desde então, o BC vinha se limitando a fazer operações de rolagem desses ativos.

O BC havia feito dois leilões de swap cambial pela última vez em 13 de maio, quando o dólar fechou no pico histórico nominal de R$ 5,9012, depois de durante os negócios alcançar R$ 5,9445.

"O BC fez certo de agir, mas poderia ter sido mais forte", disse Joaquim Kokudai, gestor na JPP Capital. "Hoje era o dia de o BC ter dado uma pressionada nos vendidos, de pegar o mercado de surpresa, é o único jeito de tirar a volatilidade", completou, entendendo que parte do aumento da volatilidade no câmbio decorre do modus operandi do Banco Central.

Em meados de julho, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que começava a ter figura um pouco mais clara sobre a volatilidade cambial, mas pontuou que quanto menos intervenção houvesse no mercado, melhor.

Também no mês passado, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, chegou a dizer que a volatilidade cambial incomodava e estava sendo estudada pela autoridade monetária, mas que havia entendimento de que os instrumentos dos quais o BC dispõe não eram adequados para atuar nesse sentido.