Economia Dólar sobe e supera R$ 5,70 nos primeiros negócios da semana

Dólar sobe e supera R$ 5,70 nos primeiros negócios da semana

Moeda norte-americana avança 0,4% nos primeiros negócios desta segunda-feira, com variante Ômicron no radar

Reuters
Dólar sobe com busca por ativos mais seguros

Dólar sobe com busca por ativos mais seguros

Dado Ruvic/Reuters-30/10/2020

O dólar começava a semana em alta frente ao real, já que investidores de todo o mundo buscavam ativos considerados seguros nesta segunda-feira em meio a temores de que a variante Ômicron do coronavírus leve grandes economias a adotar medidas mais rígidas de combate à Covid-19.

Às 9h08, a moeda norte-americana à vista avançava 0,3%, a R$ R$ 5,7015 na venda. Já às 9h45, a cotação avançava 0,4%, a R$ 5,708. 

Na B3, às 9h08 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,06%, a 5,7165 reais.  Na última sessão, na sexta-feira, o divisa spot subiu 0,08%, a R$ 5,6845 na venda.

O Banco Central fará neste pregão oferta líquida de até 14 mil contratos de swap cambial tradicional, distribuídos entre os vencimentos 1° de agosto de 2022 e 3 de outubro de 2022.

A autarquia também disponibilizará até 15 mil contratos de swap cambial tradicional — venda de dólares com compromisso de recompra — para rolagem do vencimento de 1° de fevereiro de 2022.

Riscos

"Mercados globais estão abrindo a semana em tom de 'risk-off' (aversão a risco), com investidores de olho na piora do quadro sanitário global", disse em nota Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos. "Ativos de risco não deverão escapar do contágio pela piora de sentimento generalizada que caracteriza os mercados internacionais."

Após a Holanda decretar lockdown no domingo — possivelmente pressionando outras economias europeias a adotar medidas semelhantes para frear a disseminação da cepa Ômicron-, as bolsas europeias e os futuros de Wall Street caíam com força nesta segunda-feira.

Nos mercados de câmbio, o índice do dólar frente a uma cesta de seis rivais caía 0,13%, mas estava próximo de uma máxima desde meados do ano passado. A moeda da Austrália, vista como indicador do apetite por risco global, perdia 0,2% nesta manhã.

Além dos receios associados à pandemia, economistas do Bradesco chamaram a atenção para "liquidez reduzida (nos mercados internacionais) por conta das festividades de final de ano". Os negócios serão encurtados nesta semana pela véspera de Natal, que cai na sexta-feira.

Em relatório divulgado nesta segunda-feira, os especialistas do banco também disseram que o foco dos participantes do mercado cairá sobre indicadores econômicos tanto do Brasil — com divulgação na quinta-feira do IPCA-15 de dezembro — quanto dos Estados Unidos, que publica durante a semana leituras sobre o PIB (Produto Interno Bruto) e o índice de preços PCE.

À medida que este ano chega ao fim, participantes do mercado começavam a olhar ainda para os desafios do real para 2022, quando o dólar deve se beneficiar globalmente de altas de juros nos EUA. No âmbito local, as eleições presidenciais podem elevar as incertezas no mercado num período de crescimento econômico provavelmente fraco.

A pauta fiscal também segue no radar, em meio à percepção de que a credibilidade do Brasil foi abalada nos últimos meses pela pressão do governo por mais gastos, que levou, no fim das contas, a alteração na regra do teto de gastos por meio da PEC dos Precatórios, recém-promulgada.

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