Dólar sobe pelo 12° pregão consecutivo e supera R$4,61 com expectativa de corte de juros

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar chegou a superar 4,61 reais na manhã desta quinta-feira mesmo após anúncio de leilão extraordinário pelo Banco Central, subindo pelo 12° dia consecutivo em meio a expectativas de corte de juros devido aos riscos econômicos do coronavírus.

Às 10:35, o dólar avançava 0,53%, a 4,6051 reais na venda, e na máxima do dia tocou 4,6147 reais, máxima histórica intradiária. O dólar futuro de maior liquidez avançava 0,49%, a 4,6145 reais.

Em todo o mundo o foco seguia no surto de coronavírus em rápida expansão, que já atingiu cerca de 95 países, infectando mais de 95 mil pessoas, causando a morte de mais de 3 mil e ameaçando interromper as cadeias de suprimento mundiais.

"Todo esse movimento é global. Há uma apreciação do dólar geral", disse Italo Abucater, gerente de câmbio da Tullett Prebon, citando movimentos de aversão a risco em meio a incertezas sobre o futuro da doença. "Quando que uma vacina será descoberta? Quando aparecerá uma cura?"

A onda de pânico que vem abalando os mercados já deixa o dólar no caminho de seu 12° pregão diário de ganhos, depois de ter renovado máximas recordes nos últimos dez fechamentos. Na quarta-feira, o dólar interbancário registrou salto de 1,55%, a 4,5806 reais.

O movimento acompanhava o exterior, com a moeda norte-americana ganhando contra peso mexicano, lira turca, rand sul-africano e dólar australiano, divisas mais arriscadas. O dólar perdia contra ativos seguros, como o iene japonês, o que o deixava em queda de 0,37% contra seis pares fortes.

Segundo muitos analistas, colaborando para esse movimento está a expectativa de corte de juros no Brasil, depois que vários bancos centrais, incluindo o Federal Reserve, iniciaram movimentos de flexibilização monetária em defesa contra os riscos do coronavírus.

A redução sucessiva da Selic a mínimas históricas tornou alguns rendimentos baseados na taxa de juros brasileira menos atraentes para o investidor estrangeiro, o que recentemente prejudicou o desempenho do real.

Na tentativa de conter possível exagero no comportamento do câmbio, o Banco Central do Brasil anunciou para este pregão novo leilão de até 20 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em agosto, outubro e dezembro de 2020, no valor de 1 bilhão de dólares.

O BC já havia realizado nesta quinta-feira leilão em que vendeu 20 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimentos semelhantes.

Segundo Abucater, um cenário doméstico desfavorável -- com a possibilidade de a conjuntura brasileira se sair pior do que seus pares ao final da crise sanitária mundial -- é um dos motivos para as atuações recentes do Banco Central nos mercados, mas citou ineficiência.

"O próprio BC não tem tido atuações enérgicas mesmo tendo ferramentas para tal. Ele não quer queimar o cartucho, porque entende que esse é um movimento global."

Imediatamente após o anúncio, o dólar reduziu drasticamente a alta e chegou a tocar a mínima da sessão de 4,5880, mas logo recuperou o fôlego, voltando a superar 4,60 reais.

None

None

(Edição de Camila Moreira)