Dólar ultrapassa R$ 5,30 e caminha para 7ª semana de alta

Mercado enfrenta cautela generalizada após casos de coronavírus no mundo superarem 1 milhão e com dados sobre o emprego nos EUA

Moeda bateu nova máxima histórica

Moeda bateu nova máxima histórica

Rick Wilking/Reuters

O dólar chegou a superar R$ 5,30 na manhã desta sexta-feira (3), caminhando para fechar sua sétima semana consecutiva de ganhos em meio à cautela generalizada após os casos de coronavírus no mundo superarem 1 milhão, com dados sobre o emprego nos Estados Unidos destacando o impacto econômico da pandemia.

Às 10h55, o dólar avançava 0,48%, a R$ 5,2915 na venda.

No pico do pregão, a moeda norte-americana spot bateu R$ 5,3012, nova máxima histórica intradia.

O dólar futuro de maior liquidez subia 0,63, a R$ 5,300.

Os casos globais de coronavírus ultrapassaram 1 milhão na quinta-feira (2), com mais de 52 mil mortes, uma vez que a pandemia explodiu nos Estados Unidos e o número de mortos avançou na Espanha e na Itália, de acordo com dados da Reuters.

O impacto econômico de tamanha disseminação continuava assustando os mercados, principalmente após dados norte-americanos praticamente confirmarem uma recessão na maior potência do mundo.

Nesta sexta-feira, o Departamento do Trabalho dos EUA disse que os empregadores do país cortaram 701 mil empregos no mês passado, depois de criarem 275 mil postos de trabalho em fevereiro. A taxa de desemprego disparou de 3,5% para 4,4%.

"Os Estados Unidos cortaram 701 mil empregos em março, evidenciando os primeiros efeitos do coronavírus no mercado de trabalho americano(...) Aqui, o reflexo foi imediato com o dólar comercial subindo fortemente", explicou em nota Jefferson Rugik, da Correparti Corretora.

"O coronavírus segue assolando o globo, e, dentre os países afetados, neste momento os EUA são o que está em evidência, acrescentou Ricardo Gomes da Silva Filho, também da Correparti.

O pessimismo era visível nos mercados internacionais, com o dólar ganhando mais de 1% contra lira turca, peso mexicano e rand sul-africano, enquanto subia 0,8% ante o dólar australiano. Essas moedas são consideradas ativos arriscados, que tendem a perder em tempos de estresse financeiro ou geopolítico.

Entre analistas, não há expectativa de melhora do cenário tão cedo, o que pode continuar pressiondo divisas emergentes, incluindo o real.

Em nota, a Infinity Asset disse que "o problema continua a ser a ausência de um espectro temporal, pois a restrição à demanda pela paralisação se une ao temor pela perda de emprego e renda, os quais se convertem em adicionais restrições à demanda, piorando a atividade econômica como um todo".

"O quanto mais avançar tal cenário, mais se aprofundará a recessão e mais difícil será sua saída. Tal discussão só conseguirá ganhar corpo nas próximas semanas, com a possível redução do pico de casos nos EUA e Europa."

Só em 2020, o dólar já acumula alta de mais de 30% contra a moeda brasileira. Apesar de a crise de saúde ser fator importante para essa valorização, analistas apontam a falta de fluxo estrangeiro nos mercados brasileiros como uma pressão adicional sobre o real.

O atual patamar da Selic, em mínima histórica de 3,75%, colabora para a redução do investimento vindo do exterior, uma vez que reduz rendimentos atrelados à taxa básica de juros, tornando alguns ativos brasileiros menos atraentes.

O dólar interbancário teve variação positiva de 0,09% na quinta, a R$ 5,2661 na venda.

Nesta sessão, o Banco Central realizará leilão de até 10 mil swaps cambiais tradicionais com vencimento em outubro de 2020 e janeiro de 2021, para rolagem de contratos já existentes.