Economia Dólar vai abaixo de R$ 5,50 após BC elevar taxa de juros a 2,75%

Dólar vai abaixo de R$ 5,50 após BC elevar taxa de juros a 2,75%

Depois do anúncio de alta na Selic maior do que a esperada, moeda caía 80%, a R$ 5,48  na abertura do mercado

Reuters
Dólar abre em forte queda contra o real logo após a abertura desta quinta-feira (18),

Dólar abre em forte queda contra o real logo após a abertura desta quinta-feira (18),

Yuriko Nakao/Reuters - 18.03.2021

O dólar era negociado em forte queda contra o real logo após a abertura desta quinta-feira (18), chegando a ir abaixo dos R$ 5,50 depois da decisão do Banco Central de elevar a taxa Selic para 2,75%, alta maior do que a esperada pelos mercados, apontando ainda que deverá promover novo aperto de igual magnitude na reunião de maio.

Leia mais: Dólar avança contra real antes de decisões de juros nos EUA e Brasil

Às 9:13, o dólar recuava 1,80%, a R$ 5,4870 na venda.

Na B3, o dólar futuro tinha caía 1,84%, a R$ 5,484.

O dólar spot fechou a quarta-feira em queda de 0,52%, a R$ 5,5876 na venda.

O primeiro aperto monetário do Banco Central em quase seis anos veio acima do esperado pelos participantes do mercado, que apostavam numa alta de 0,5 ponto percentual, segundo 29 de 30 especialistas consultados em pesquisa Reuters. A autarquia ressaltou uma piora nas projeções para a inflação, em meio às incertezas geradas pela pandemia.

Para Mauro Morelli, estrategista da Davos, mais do que a alta acima do esperado, chamou a atenção dos investidores a sinalização do BC de que vai promover um ajuste da mesma magnitude nos juros em sua próxima reunião de política monetária.

Para ele, com o início impactante de seu ciclo de aperto monetário, "o BC já começou com um choque de juros, o que terá influência importante sobre o câmbio".

Nos últimos anos, o Brasil saiu de um dos patamares de juros mais caros para um dos mais baratos entre os mercados emergentes, o que tem sido apontado por vários analistas como um fator de pressão para a moeda doméstica. "Sem muitos ruídos políticos e se o país conseguir lidar melhor com a pandemia de Covid-19, o real pode se beneficiar do aperto monetário que vem pela frente", afirmou Morelli.

Também na quarta-feira, ao fim de sua reunião de política monetária, o Federal Reserve repetiu a promessa de manter a meta de taxa de juros perto de zero nos próximos anos, após projetar um rápido salto no crescimento econômico dos Estados Unidos e na inflação este ano.

O maior diferencial de juros entre o Brasil e os EUA é um fator que pode beneficiar o real, disse Morelli. "Agora é começar a analisar se aparecerá um maior fluxo de capital estrangeiro e ver se as expectativas virarão realidade."

Nesta manhã, o índice do dólar contra uma cesta de moedas fortes registrava alta de mais de 0,5%, recuperando-se de mínimas em duas semanas atingidas após a reunião do banco central norte-americano, o que pressionava algumas divisas consideradas arriscadas, como peso mexicano, rand sul-africano e dólar australiano, e pode limitar os ganhos do real durante o pregão.

Enquanto isso, os rendimentos dos Treasuries de dez anos atingiram seus níveis mais altos em 14 meses nas negociações matinais de Londres, superando a marca de 1,74% pela primeira vez desde janeiro de 2020.

Neste pregão, o BC fará leilão de swap tradicional para rolagem de até 16 mil contratos com vencimento em dezembro de 2021 e abril de 2022.

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