Economia É possível ter um emprego sem ter um chefe? O R7 explica

É possível ter um emprego sem ter um chefe? O R7 explica

A cultura das startups influencia as grandes corporações e o modelo de gestão horizontal já é uma realidade

Influência das startups chega ao ambiente de trabalho das grandes corporações

Profissional deve saber se comunicar com outras áreas e ser flexível no dia a dia

Profissional deve saber se comunicar com outras áreas e ser flexível no dia a dia

Pixabay

É possível trabalhar sem um chefe? Sim, graças a influência das empresas de tecnologia essa nova cultura chega ao dia a dia do trabalho. E, segundo os especialistas, é uma tendência que veio para ficar.

Como isso ocorre? As empresas, principalmente as grandes corporações, têm apostado cada vez mais no modelo de gestão horizontal, diminuindo as relações de hierarquia e a distância entre os cargos. 

Segundo Elaine Saad da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos) a ideia é de uma pirâmide esticada. “Pessoas ocupam os mesmos níveis hierárquicos, o mesmo nível de cargos, o que diminui a distância entre as pessoas, possibilita uma maior troca de ideias e experiências”.

Essa tendência surgiu com casos de sucesso como Apple, Facebook e Google, que surgiram em garagens e tiveram um crescimento exponencial em um período relativamente curto. Essas empresas de tecnologia possuem uma dinâmica própria, que rompe com hierarquias, flexibiliza a rotina de trabalho e muda o foco do tempo de trabalho para os resultados.

“Toda a empresa, mesmo aquelas com a estrutura mais verticalizada, pode e, provavelmente, passará por esse processo, mas é preciso mudar paradigmas e exige um investimento de alguns anos para mudar a cultura”, explica Murilo Cavellucci diretor na Catho.
Para Genis Fidélis gerente na Michael Page, o foco passa a ser na performance do profissional e não mais o número de horas que a pessoa fica no ambiente de trabalho. “O home office e a flexibilização do horário, mas é preciso ter claro que cada um será cobrado por seus resultados”.

O modelo horizontal proporciona maior autonomia dos funcionários e, ao mesmo tempo, gera mais responsabilidade. “As pessoas podem distribuir a carga de trabalho, mas não devem se esquecer que pertencem a um time e todos serão cobrados por resultados”, pondera Cavellucci.

A cultura de inovação ganha força nas grandes empresas

“As corporações devem trazer as pessoas mais para perto, para que entendam os propósitos da empresa e que os funcionários possam ter um aproveitamento melhor”, diz Fidélis. “É preciso ter consciência de que toda a ação terá um impacto, mesmo aquelas nas redes sociais — cada vez mais o funcionário representa a empresa".

Outra característica do modelo horizontal está na colaboração tanto entre pessoas de uma mesma equipe como entre diferentes áreas ou setores de uma corporação. Seguindo uma tendência das novas empresas do Vale do Silício, são criados ‘esquadrões’ com pessoas de diferentes áreas trabalhando de forma colaborativa para solucionar um determinado problema ou atingir um propósito.

“A ideia de departamentos mudou, as fronteiras estão cada vez mais fluidas entre eles e a tecnologia cada vez mais presente no cotidiano”, diz Cavellucci. “As novas tecnologias conferem mais eficiência ao trabalho e o ser humano entra com a capacidade criativa”.

Startups que promovem inclusão e igualdade social são tendência

E para quem ainda não está familiarizado com essa nova cultura? A dica dos especialistas é pensar como um time, sempre no coletivo. “A capacidade de interagir é fundamental, principalmente a comunicação entre diferentes áreas”, avalia Fidélis.

“É preciso ter consciência que o crescimento profissional será lateral — a pessoa poderá atuar em áreas diferentes e terá a oportunidade de acumular conhecimento, muito mais do que mudar de níveis”, explica Elaine.

E, segundo os especialistas, a tendência é que essa interação entre trabalho e tecnologia e a comunicação entre diferentes áreas de uma mesma corporação seja aprofundada. “É importante estudar, buscar informações e estar preparado para essa nova realidade”, avalia Elaine.