Economia está 4,8% abaixo de pico observado no 1º trimestre de 2014

IBGE afirma que PIB brasileiro do primeiro trimestre sofreu forte impacto da pandemia do novo coronavírus

IBGE corrigiu informação divulgada inicialmente

IBGE corrigiu informação divulgada inicialmente

Pixabay

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) corrigiu a informação divulgada mais cedo, durante entrevista coletiva online, de que o nível do PIB (Produto Interno Bruto) ficou, no primeiro trimestre de 2020, 4,2% abaixo do pico, que teria sido registrado no quarto trimestre de 2014.

A informação correta é que o ponto máximo do nível de atividade foi atingido no primeiro trimestre de 2014. Desta forma, no primeiro trimestre de 2020, o PIB ficou 4,8% abaixo do pico.

Segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais no IBGE, o resultado do primeiro trimestre teve forte impacto da pandemia do novo coronavírus. "A gente não faz esse cálculo mensal, mas olhando o índice que o Banco Central calcula, os dados das pesquisas conjunturais, realmente isso é visível. Março teve uma queda muito grande em comparação com fevereiro", apontou Rebeca.

O PIB caiu 1,5% no primeiro trimestre em relação ao trimestre imediatamente anterior. No entanto, mesmo antes da covid-19, a atividade econômica permanecia com crescimento em torno de 1% no acumulado de quatro trimestres, ou seja, mantinha uma recuperação ainda lenta e gradual.

"Estava numa recuperação gradual", afirmou Rebeca Palis. "A gente não tinha voltado ainda ao pico, de antes da crise de 2015 e 2016, a gente estava aos poucos indo para esse nível, mas não tinha chegado ainda", completou.

O PIB está atualmente no mesmo nível do segundo trimestre de 2012. Rebeca diz que a conjuntura atual é diferente da registrada nas últimas crises econômicas.

"Isso é coisa mundial, não é do Brasil. A pandemia está tendo impacto pelos dois lados, como se fosse choque de oferta e choque de demanda. Além de serviços estarem fechados, tem impacto sobre a demanda também, porque o mercado de trabalho foi afetado. É uma conjunção de coisas", ressaltou a pesquisadora do IBGE.

Rebeca não arriscou fazer um prognóstico sobre a recuperação após a covid-19. "O mercado de trabalho, em geral, não costuma ter recuperação rápida", pontuou.