Economize Alta no custo da construção civil reduz oferta do Casa Verde Amarela

Alta no custo da construção civil reduz oferta do Casa Verde Amarela

Representantes do setor pedem redução do imposto de importação e das barreiras técnicas para estabilizar mercado

  • Economize | Márcia Rodrigues, do R7

Impacto da alta dos insumos da construção vem afetando lançamento de imóveis populares

Impacto da alta dos insumos da construção vem afetando lançamento de imóveis populares

Tomaz Silva/Agência Brasil

O aumento no preço do material da construção deve afetar a oferta de lançamentos de imóveis do Casa Verde Amarela (novo nome do Minha Casa, Minha Vida) nos próximos meses, estima a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção).

A preocupação foi destacada em coletiva realizada pela CBIC nesta segunda-feira (24).

O motivo é simples: o programa tem um teto para o preço dos empreendimentos e as construtoras não conseguem repassar a elevação do custo para o consumidor. Com isso, acabam migrando para a produção de imóveis de padrões médio e alto.

Só para entender, o CVA (Casa Verde Amarela) é destinado a famílias mais pobres, com renda mensal de até R$ 2 mil. É um público que necessita de subsídios para financiar uma moradia.

José Carlos Martins, presidente da entidade, afirma que o principal problema enfrentado por empresários do setor para a construção de imóveis de todos os níveis - popular, médio e alto padrão - foi a falta ou o alto custo de matérias-primas.

Esse fator impactou a atividade de cerca de 57,1% das empresas. No ano anterior, no mesmo período, o problema foi apontado por apenas 8,1% dos empresários.

Para se ter uma ideia, enquanto o INCC/FGV (Índice Nacional de Custo da Construção do Mercado da Faculdade Getulio Vargas) acumulou alta de 12,99% nos últimos 12 meses encerrados em abril, o custo com material se destacou no período com aumento de quase 30%.

O custo deve subir ainda mais, segundo estimativa da CBIC, por causa do período dos dissídios que elevarão o custo da mão de obra nos próximos meses.

Lançamentos Casa Verde Amarela

O estudo apontou que a representatividade do CVA sobre o total de lançamentos, no trimestre, foi de 55,6%. Sobre o total de vendas, essa participação foi de 51,5%. Na oferta final, o número de imóveis do CVA representou 44,4% do total.

"As empresas estão trabalhando no limite devem migrar cada vez mais para a construção de outros tipos de imóveis, que permitem mais flexibilidade como redução do tamanho do imóvel e mudança de localidade, por exemplo."

Por ter um teto limite, a oferta de casas populares registrou queda principalmente na região Nordeste.

"O governo não tem estoque de imóveis, mas tem caneta para mexer em pontos que ajudariam o setor. Reduzir o imposto de importação e as barreiras técnicas que foram colocadas ao longo dos anos nos ajudariam a estabilizar este mercado."

Martins destaca que não adianta apenas elevar o teto desse tipo de financiamento porque a renda da população não subiu.

Fábio Tadeu Araújo é sócio da Brain Inteligência Estratégica, cita um exemplo do que representaria o aumento do teto no cenário atual da economia.

"Na região metropolitana de Curitiba (PR) o teto do CVA é de R$ 190 mil, mas os imóveis vendidos são da margem de R$ 115 mil. Em São Paulo, aumentar o teto pode ajudar, mas para muitas cidades não vai afetar porque as rendas das famílias não mudaram", diz Araújo.

Primeiro trimestre teve alta de vendas e baixa de estoques

O Brasil registrou um aumento de 27,1% nas vendas de imóveis residenciais novos (apartamentos) no primeiro trimestre de 2021, na comparação com o igual trimestre de 2020.

Mesmo assim, em virtude da elevação nos preços dos insumos, o aumento registrado nos lançamentos foi considerado tímido no mesmo período, segundo a CBIC, subindo apenas 3,7%.

A oferta de imóveis caiu 14,8% nos três primeiros meses deste ano, na comparação com o ano passado.

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