Aplicações de pequenos investidores têm alta de 16% e batem recorde

Volume de recursos captados no varejo tradicional, aquele que reúne pessoas físicas, soma R$ 1,12 trilhão. CDB figura entre os preferidos

Aplicações no pequeno investidor somam R$ 1,12 trilhão

Aplicações no pequeno investidor somam R$ 1,12 trilhão

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Os investimentos dos brasileiros do varejo tradicional, aqueles que reúnem o pequeno investidor pessoa física, cresceram 15,9% de janeiro a setembro. É a maior variação na série histórica iniciada em setembro de 2014.

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No período, as aplicações no segmento somaram R$ 1,12 trilhão. Também houve avanço no acumulado do ano para os segmentos de varejo de alta renda (3,9%) e private (5,2%).

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (12) pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

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Somando as três categorias – varejo tradicional, alta renda e private –, os investimentos das pessoas físicas chegou a R$ 3,52 trilhões até setembro de 2020.

O valor equivale a um crescimento de 7,9% nos nove meses de 2020, quando comparado com o acumulado até dezembro de 2019.

José Ramos Rocha Neto, presidente do Fórum de Distribuição da Anbima diz que o recorde é muito positivo se considerarmos o cenário que estamos enfrentando em meio à pandemia do novo coronavírus.

“Os brasileiros continuaram investindo, em um ano em que a Selic [taxa básica de juros] foi reduzida a 2%, alguns títulos públicos tiveram rentabilidade negativa e a bolsa conviveu com forte volatilidade."
José Ramos Rocha Neto

Apesar de o bom desempenho no acumulado do ano, houve uma desaceleração nos investimentos das pessoas físicas no terceiro trimestre.

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No período, o crescimento das aplicações foi de 4,5% ante o trimestre anterior, inferior à alta de 9% apresentada no segundo trimestre.

Os motivos, segundo Rocha, foram o desempenho da atividade econômica e a redução do valor do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300.

CDB foi o preferido dos investidores

Os valores aplicados em títulos e valores mobiliários – ações, debêntures e quotas de fundos de investimento – tiveram o maior crescimento em setembro (alta de 20%) sobre o último mês do ano passado.

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Somando o varejo tradicional e o de alta renda, eles geraram um volume de R$ 621,4 bilhões.

O CDB (Certificado de Depósito Bancário), títulos de renda fixa emitidos por bancos e de baixo risco, aparece como o preferido da categoria com 44,9% no total de investimentos no mês.

Em setembro de 2019, esse percentual era de 37,2%.

As ações foram o destaque da renda variável. No mês, o número de pessoas físicas na bolsa brasileira superou a marca histórica de 3 milhões de investidores, de acordo com a B3.

Em setembro, esses ativos respondiam por 16,9% do volume financeiro alocado em títulos mobiliários no varejo (tradicional e alta renda) - o percentual era de 15,5% em setembro de 2019.

Auxílio emergencial impulsiona poupança

A caderneta de poupança manteve o forte ritmo de crescimento verificado ao longo dos meses iniciais de pandemia.

Os investimentos na poupança totalizaram R$ 920,8 bilhões até setembro, alta de 17,6% em relação a dezembro de 2019.

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O pagamento do auxílio emergencial foi um dos motivos do bom desempenho, segundo a Anbima.

Já os fundos de investimento registraram queda de 7,6% no acumulado do ano em relação a dezembro de 2019 nas duas classes de investidores.