Com incertezas, especialistas dizem que momento é de cautela na Bolsa

Investidor deve sempre pensar em manter um fundo de emergência em renda fixa. Quem está pensando em entrar deve aguardar a situação se acalmar

Bolsa precisou interromper suas operações quatro vezes na história

Bolsa precisou interromper suas operações quatro vezes na história

Pixabay

As oscilações da Bolsa de Valores vêm deixando muitos investidores inseguros sobre manter ou não o dinheiro aplicado em ações. Nesta quinta-feira (12), a Bolsa acionou pela quarta vez na história o circuit breaker – mecanismo automático que interrompe os negócios temporariamente em casos de grande instabilidade no mercado – duas vezes no mesmo dia. 

Especialistas ouvidos pelo R7 afirmam que quem tem dinheiro na Bolsa deve respirar fundo para não se desesperar e vender suas ações. E quem está pensando em entrar neste mercado deve aguardar a situação se acalmar.

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“A situação do mercado financeiro está complicada e tende a se agravar ainda mais. No curto prazo, as ações são classificadas hoje como o investimento mais arriscados que se tem”, afirma Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor-executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

A dica do especialista é manter a calma porque se o investidor sair da Bolsa agora assumirá toda a perda que teve nesse período. “Afinal, a Bolsa caiu em vários momentos e no longo prazo, vai se recuperar. ”

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A advogada Amanda Gomes da Fonseca Voltolini começou a investir na Bolsa de Valores no ano passado e afirma que, por estudar muito bem o mercado de capitais antes de diversificar o destino do seu dinheiro, não está temerosa com as constantes quedas das ações.

Amanda diz que iniciou sua carteira de investimentos em 2016 com renda fixa. Resolveu ingressar no mercado de renda variável depois de falar com vários amigos. Atualmente, 10% da sua carteira está em ações.

“Quando entrei na Bolsa, tomei um susto porque não estava acostumada com esta volatilidade. Em uma semana eu vi o valor das minhas ações subir bastante e, depois, cair na mesma proporção na semana seguinte. Hoje eu entendo que faz parte do processo e que, no longo prazo, consigo um bom rendimento para os meus investimentos”, diz Amanda.

Advogada vai aproveitar baixa para comprar ações

A advogada afirma que quer aproveitar a crise para comprar mais ações. “Sei que esses momentos de baixa são os mais propícios para investir. Vou comprar papéis de companhias que acredito e segura-las para acumular dividendos e garantir a minha previdência. ”

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Oliveira orienta os investidores, até mesmo os com perfil mais arrojado, a terem cautela neste momento.

“Mesmo que os preços das ações caíam bastante, não sabemos se já chegamos ao fundo do poço. Num ambiente de recessão econômica mundial, com o coronavírus se proliferando cada vez mais e as empresas entrando em calote, as ações vão despencar mais ainda. Quem quiser entrar na Bolsa precisa ter a consciência do risco que vai correr. ”

Desespero pode gerar prejuízos

O momento, no entanto, não é para se desesperar e vender todas as ações que tem em sua carteira de investimentos na Bolsa, segundo Oliveira.

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“Se ficar preocupado e vender tudo, perderá todo o lucro que conquistou até a queda da Bolsa. ”

Foi o que fez o microempresário Alberto Vieira. Preocupado com a baixa, ele vendeu todas as suas ações na última terça-feira (10) com medo de perder todo o seu dinheiro.

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“Eu não quis me arriscar mais. As ações estavam caindo muito e se eu mantivesse meu dinheiro na Bolsa, teria perdido todo o valor investido e o lucro que conquistei até então”, comenta Vieira.

O microempresário afirma que tomou a medida drástica por não ter um fundo de emergência em outro tipo de investimento.

“Se ele não precisasse do dinheiro, seria melhor tê-lo deixado aplicado na Bolsa”, enfatiza Oliveira.

A educadora financeira Teresa Tayra concorda com Oliveira e destaca a importância de se manter um fundo de emergência em renda fixa. Segundo ela, o “dinheiro na Bolsa sofre oscilações do mercado, por isso não é o melhor investimento para reserva de emergência”.

“O conceito de comprar ações é ser sócio de uma empresa. Por isso, é importante você acompanhar a saúde financeira das companhias. ”

Para a planejadora financeira Rejane Tamoto, o melhor a fazer em momentos de forte oscilação e tensão é manter a calma e esperar.

"É importante lembrar que a desvalorização dos preços das ações só se torna uma perda se o investidor vendê-las no momento da queda. Se você tivesse um imóvel que valia R$ 1 milhão e, por alguma mudança de regra, ele passasse a valer R$ 700 mil em um mês, você venderia no mesmo momento? Provavelmente analisaria se houvesse possibilidade de reversão da medida ou se outras mudanças na região poderiam trazer uma valorização futura. Identificaria exageros. Por que não fazer isso quando olha para o extrato de suas ações ou cotas de fundos de ações?"

O melhor remédio para enfrentar esses momentos, segundo ela, é o planejamento financeiro, que garante a reserva de emergência protegida em aplicações conservadoras. "É o dinheiro que a pessoa realmente pode precisar e usar sem prejuízo, mesmo em um momento de crise."

A parcela dos recursos que ficam em investimentos mais arriscados sempre é a de médio para o longo prazo, de acordo com Rejane. "Já passamos por crises que levaram o mercado de ações a desabar - crise do subprime em 2008, crise da Rússia, Delação da JBS. Em todos os casos, houve recuperação depois de um ano."

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