Como ficam os investimentos com a Selic a 2,25%? Especialistas explicam

Redução dos juros básicos foi influenciada pela pandemia do coronavírus e tem o objetivo de estimular a economia nacional, segundo nota do Copom

Copom reduziu a taxa em 0,75 ponto percentual

Copom reduziu a taxa em 0,75 ponto percentual

Raw Image/Folhapress

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central anunciou, na quarta-feira (18), uma nova redução na taxa básica de juros. A decisão confirmou a expectativa do mercado de que a Selic cairia de 3% para 2,25% ao ano.

Uma segunda onda da pandemia do coronavírus no mundo, a retração global da economia e o desemprego no Brasil são alguns dos motivos que contribuíram para mais uma queda da Selic, segundo especialistas.

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"A pandemia da covid-19 continua provocando uma desaceleração pronunciada do crescimento global. Nesse contexto, apesar de a provisão significativa de estímulos fiscal e monetário pelas principais economias e de alguma moderação na volatilidade dos ativos financeiros, o ambiente para as economias emergentes segue desafiador", avaliou o Copom ao anunciar a decisão de quarta-feira.

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Para Roberto Indech, estrategista chefe da Clear Corretora, o corte de 0,75 ponto percentual já era consenso e esperado pelo mercado, mas o que chamou a atenção no comunicado do Copom foi que o Banco Central colocou 2,25% como uma taxa adequada para esse momento, mas não se fechou em relação a novas mudanças.

"O comunicado traz a mensagem de que o Copom está satisfeito com esse valor da Selic nesse momento, mas se manterá aberto a possibilidade de realizar novos ajustes, de forma residual, dependendo da conjuntura econômica e dos impactos da pandemia nos próximos meses."

Como fica poupança e renda fixa?

Com a nova redução, a caderneta de poupança (famoso e tradicional investimento dos anos 90 que chegou a render 14% ao ano) e outras aplicações alinhadas à Selic deixam de ser atrativas, de acordo com os especialistas.

“Cada vez que a taxa de juros cai, faz menos sentido manter os investimentos na renda fixa. Poupança e Tesouro Direto, por exemplo, não remuneram o patrimônio acima da inflação e geram perda de poder de compra."
Eduardo Akira, sócio da Vero Investimentos

Akira afirma que quem quer ter rendimento acima da inflação, vai ter de correr um pouco mais de risco e partir para a renda variável.

Para Miguel de Oliveira, diretor executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), no entanto, em momentos de crise é mais importante preservar o patrimônio do que ter rentabilidade em um investimento.

“Estamos enfrentando uma crise muito grande e, neste período, mais importante do que ganhar dinheiro é tentar preservar o patrimônio ao máximo. Mesmo que isso implique em baixa rentabilidade.”
Miguel de Oliveira

Para o diretor da Anefac, a caderneta de poupança volta a ser uma boa opção de investimento para renda fixa neste cenário por ser isenta de IR (Imposto de Renda).

“Os fundos de renda fixa continuam perdendo competitividade frente às cadernetas de poupança, principalmente nas aplicações de baixo valor em ativos com taxas de administração mais elevadas", conta.

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Neste cenário, de acordo com Oliveira, a caderneta de poupança continuará sendo uma excelente opção de investimento, principalmente sobre os fundos cujas taxas de administração sejam superiores a 1% ao ano.

Ele explica: “além de não ter a incidência de IR, a poupança rende 70% da Selic mais a variação da TR”.

E o CDB e Tesouro Selic?

Akira acredita que a rentabilidade de outros ativos continua sendo mais atrativa do que a poupança.

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Ele cita como exemplo o Tesouro Selic e o CDB, que rendem 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e permitem o saque do capital e dos juros a qualquer instante.

O CDI é um título de empréstimo emitido por um banco. O que significa 100% do CDI? Significa que aquele ativo terá o mesmo rendimento do CDI durante o período em que ficar aplicado.

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“Mesmo pagando taxa administrativa e IR, o CDB atualmente está rendendo 2,24% ao ano, enquanto a poupança chega a 2,1% ao ano. Com a Selic a 2,25% ao ano, o CDB fica em 1,66% ao ano e a poupança a 1,57% ao ano. Continua sendo mais vantajoso.”

Lucas Collazo, estrategista de alocação da Rico Investimentos, também defende que a poupança não é o melhor investimento com a Selic a 2,25%.

“Mesmo com a isenção do IR, o fundo DI é mais vantajoso do que a poupança, ainda que a diferença de rentabilidade não seja gigantesca.”
Lucas Collazo

Collazo faz uma simulação da rentabilidade de ambos em um ano:

• Enquanto o fundo DI (100% do CDI com IR seguindo tabela regressiva) – 1,8%
• Poupança (70% da Selic mais a variação da TR) – 1.58%

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Collazo também destaca a questão da liquidez. A poupança tem rentabilidade a cada 30 dias, no dia do seu aniversário. Tesouro Selic, fundos DI simples, CDBs tem liquidez diária e são opções mais rentáveis para investimentos de curso prazo, segundo ele.

“É falso pensar que dá para sacar o dinheiro da poupança a qualquer hora e ter rentabilidade. Para ter o rendimento do mês tem de esperar a data de aniversário da conta.”

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Para investimento em médio ou longo prazo, com a Selic a 2,25% ao ano, Collazo sugere, na renda fixa: CDB, LCI, LCA, títulos de grandes companhias e Tesouro Direto.

“Investimentos com prazo maior vão proporcionar taxas e rendimentos mais interessantes”, diz.