Conheça 3 investimentos que podem complementar o salário

Algumas aplicações geram dividendos mensais, ou seja, pagam parte do lucro a cada 30 dias. Será que valem a pena? Veja o que dizem os especialistas

Ações e fundos imobiliários seguem os reflexos do cenário econômico

Ações e fundos imobiliários seguem os reflexos do cenário econômico

Pixabay

Você sabia que existem investimentos que pagam dividendo mensal – parte do lucro atingido no período – e podem servir de complemento para o seu salário?

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Entre eles, os mais acessíveis são:

• FII (Fundo de Investimento Imobiliário)
• Ações
• Tesouro Direto

“O FII e as ações são boas alternativas para complementar renda, mas o investidor precisa saber que ambos têm caráter de sazonalidade muito forte.”
Álvaro Azevedo, sócio da Vero Investimentos

O alerta de Azevedo se deve porque o FII e as ações não são investimentos de renda fixa, ou seja, seu saldo total pode diminuir se houver desvalorização dos ativos (cota do fundo, taxa de juros e preço da ação que a pessoa comprou) durante um período.

Com o saldo baixo, o rendimento mensal também cai. Cabe ao investidor avaliar se mesmo com esse risco, é atrativo para ele ficar nessas aplicações por causa da antecipação dos rendimentos.

Vamos explicar cada um:

Ações

Investir em ações é como se você fosse sócio de uma empresa. Você compra uma cota – quantidade de ações – e passa a ter lucro ou prejuízo conforme o resultado da empresa.

O pagamento dos dividendos, como são chamados os lucros no mercado de capitais, pode ser mensal, trimestral ou anual.

A maioria das empresas operam com a terceira opção, mas não há uma regra.

Cada companhia também escolhe o quanto dará aos acionistas. Algumas chegam a pagar até 10% do valor da cotação no dividendo.

“Bancos, companhias elétricas e fundos imobiliários pagam dividendos maiores do que a Selic atual e o CDI.”
Álvaro Azevedo

Apesar de rentável, o mercado de capitais é considerado de alto risco.

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Para Miguel de Oliveira, diretor executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), com a pandemia do coronavírus não é o momento para se investir em ações.

“A Bolsa de Valores vem sentindo os efeitos da crise gerada pela pandemia do coronavírus e o rendimento das ações depende de as empresas venderem bastante, gerar resultado, dividendos e lucro.”
Miguel de Oliveira

Oliveira destaca que muitas companhias não estão conseguindo bons resultados no cenário atual, o que torna as ações um investimento de risco.

FII (Fundo de Investimento Imobiliário)

Investir neste fundo é similar a ter um ou mais imóveis e receber o aluguel mensal do inquilino.

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Ao adquirir uma cota do fundo, você receberá uma parte dos aluguéis administrados pelos gestores.

“É um investimento que sofre com as oscilações do mercado. Estamos vivendo uma crise e, com ela, muita renegociação de contratos de aluguel. Com isso, o rendimento mensal do FII pode cair.”
Álvaro de Azevedo

Ele frisa, no entanto, que se o investidor comprar agora para um horizonte de 12 a 24 meses, o FII pode trazer um bom retorno

Tesouro Direto

Ao comprar um título do Tesouro Direto pode-se dizer que o investidor está emprestando dinheiro ao governo e, em troca, receberá o valor acrescido de juros na data de vencimento.

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Os investimentos no Tesouro Direto possuem liquidez diária, ou seja, você pode resgatá-los a qualquer momento.

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Há três opções de títulos:

Prefixados: são aqueles que têm taxa de juros fixa, ou seja, você já conhece no momento do investimento;
Tesouro Selic: são títulos pós-fixados que possuem rentabilidade atrelada à Taxa Selic;
Tesouro IPCA: a rentabilidade desse título está atrelada à inflação, medida pela variação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), ou seja, oferecem rendimento igual à variação da inflação mais uma taxa prefixada de juros.

Tanto os títulos prefixados quanto os do Tesouro IPCA geram renda a cada 6 meses.

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Ou seja, seus rendimentos são depositados na conta da sua corretora já com o desconto do IR (Imposto de Renda).

É preciso avaliar seus objetos nesse investimento porque o desconto de IR semestralmente pode afetar a rentabilidade do seu título no longo prazo.

Atualmente os títulos prefixados pagam 4,30% ao ano e os do Tesouro IPCA pagam IPCA mais 2,79%.

Selic baixa motiva diversificação de carteira

Com os juros no patamar mais baixo da série histórica – a Selic (taxa básica de juros) está a 3% ao ano –, ter uma carteira de investimento rentável passou a exigir mais audácia do poupador.

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Aplicações de renda fixa, como CDB, CDI e poupança, ficaram menos atrativas por proporcionarem rendimento baixo.

Para Oliveira, no entanto, mesmo com a baixa rentabilidade das aplicações de renda fixa, elas são a melhor alternativa no momento.

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“Estamos enfrentando uma crise muito grande e, neste período, mais importante do que ganhar dinheiro é tentar preservar o patrimônio ao máximo. Mesmo que isso implique em baixa rentabilidade.”
Miguel de Oliveira

Oliveira também ressalta que com a taxa básica de juros baixa não é o momento para contar com rendimentos mensais dos investimentos.