Economize Conta corrente e cartão de débito também são 'coisas' de crianças

Conta corrente e cartão de débito também são 'coisas' de crianças

Escolas adotam modalidades de pagamento e aula de educação financeira para ensinar sobre o uso consciente do dinheiro

O aprendizado de economia deve estar conectado em ações do dia a dia da criança

O aprendizado de economia deve estar conectado em ações do dia a dia da criança

Divulgação

Já pensou em ver seu filho conferindo o saldo da sua conta corrente e passando um cartão de débito na cantina da escola na hora do intervalo? Não, não se trata de um filme ou de uma realidade muito distante de nosso dia a dia.

O uso das modalidades de crédito foi a forma que o Colégio Discere Laboratum no bairro do Tatuapé, na zona leste da capital de São Paulo, encontrou para inserir a educação financeira na vida dos seus alunos.

A escola criou um sistema de software financeiro que gera uma conta corrente (similar à de um banco) e um cartão de débito para os alunos utilizarem na cantina da escola.

sua ficha nutricional, e efetua o débito, explica Moacir Colangelo, diretor e dono do colégio.

O sistema, segundo ele, facilita tanto a vida da criança, que aprende a controlar os seus gastos e não precisa levar dinheiro para a escola, quanto a dos pais, que conseguem acompanhar o que os filhos estão comendo, já que algumas crianças têm restrição alimentar.

A disciplina sobre educação financeira não para por aí. Os alunos também aprendem o peso da carga tributária nos produtos que consome, o lucro do comerciante e a variação dos preços conforme a oferta e demanda.

“Trazemos a realidade para o conhecimento deles. Não adianta criticar o preço do botijão de gás sem saber para quem está indo a maior parte do dinheiro", diz Colangelo.

Para o educador, falar com as crianças sobre dinheiro é muito mais do que ensiná-las a gerenciar suas finanças. "É preciso transmitir alguns valores que irão acompanhá-las para sempre". Entre eles:

• ter paciência;
• saber priorizar; e
• ter propósitos.

Para Ligia Fleury, diretora pedagógica do colégio Discere, "a educação financeira deve começar em casa, com a família explicando o que é necessário consumir e que é possível premeditar as compras para haver um equilíbrio no orçamento".

"O programa que desenvolvemos na escola é uma continuidade desse processo. Durante as aulas de matemática, os alunos aprendem sobre finanças, imposto de renda, questões de lucros e prejuizos", completa Ligia.

Escola inicia educação financeira no maternal

No Colégio Dante Alighieri, as atividades envolvendo educação financeira iniciam no maternal e seguem até o final do ensino médio.

Verônica Martins Cannatá, responsável pelo currículo da STEAM-S (sigla que em português significa ciências, tecnologia, engenharia, artes, matemática e social), aplicado na educação infantil e fundamental, explica um pouco sobre o funcionamento desta metodologia.

Na educação Infantil e fundamental as crianças estão construindo um cofrinho individual com garrafa pet transparente para levar para casa e acompanhar o acúmulo do dinheiro.

A ideia é mostrar para a criança como se poupa, o tempo que leva, o esforço necessário e a fazer um planejamento financeiro para adquirir algo que deseje.

As turmas do 4º ano do ensino fundamental vão começar a fazer uma simulação do sistema monetário no 2º semestre. As crianças criarão uma moeda fictícia, a Dantecoin, e um mercado hipotético com dinâmica própria.

As crianças do 5º ano do ensino fundamental farão a simulação de uma compra numa papelaria virtual da escola colocando os valores numa planilha eletrônica.

"O objetivo é que os alunos entendam o valor que cada item do material escolar, que aprendam a fazer uma planilha eletrônica e a utilizarem o comércio eletrônico com responsabilidade”, diz Verônica.

Educação financeira será obrigatória no ensino fundamental

A disciplina educação financeira vem sendo incorporada no programa das escolas estaduais de todo o país.

O MEC (Ministério da Educação) e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) (CVM) firmaram uma parceria para promover um curso de educação financeira aos professores das redes pública e privada de ensino do Brasil.

O objetivo é formar educadores com conhecimentos básicos sobre finanças pessoais de forma interligada às disciplinas da grade curricular dos estudantes.

A expectativa inicial é capacitar, em três anos, 500 mil professores que poderão levar o tema a mais de 25 milhões de estudantes.

A formação dos educadores, que tem a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) como referência, deve ser implementada a partir do segundo semestre deste ano. Os anos finais do ensino fundamental serão os primeiros focos da formação.

José Alexandre Vasco, superintendente de Proteção e Orientação aos Investidores (SOI) da CVM, e Renato Brito, diretor formação docente e valorização dos profissionais da educação do MEC, justificam essa priorização apresentando o fato de que os anos finais do ensino fundamental possuem o maior índice de evasão.

A educação financeira é fundamental para formar poupadores e permitir o crescimento em bases sólidas do número de investidores no Brasil. Por isso deve ter início o mais cedo possível, preferencialmente na escola. iniciativa configura uma oportunidade única de disseminar o tema nas salas de aula brasileiras

José Alexandre Vasco

A educação financeira, segundo Brito, está ligada à educação empreendedora e a um projeto de vida. Para ele, oferecendo a formação aos professores dos anos finais do ensino fundamental, o MEC propiciará uma consciência em relação às finanças pessoais, formando, assim, uma sociedade financeiramente saudável.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Márcia Rodrigues.

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