Economize Dá para 'viver de renda' com uma aplicação de R$ 1 milhão?

Dá para 'viver de renda' com uma aplicação de R$ 1 milhão?

Entre 2015 e 2016, uma aplicação com esse valor ligada ao CDI rendia, em média, R$ 11.875 ao mês. Hoje a renda mensal seria de R$ 1.667

Hoje aplicação ligada ao CDI renderia sete vezes menor do que há quatro anos

Hoje aplicação ligada ao CDI renderia sete vezes menor do que há quatro anos

Micheile Henderson /Unsplash

Com a queda da Selic, a taxa básica de juros, quem investe R$ 1 milhão em aplicações que acompanham o CDI obtém rendimento aproximado de R$ 1.667, sete vezes menos do que há cinco anos.

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Acumular R$ 1 milhão para "viver de renda" e não depender da previdência social e ter um pouco mais de tranquilidade financeira durante a aposentadoria é o sonho de grande parte dos brasileiros.

Por outro lado, aquele tempo em que era possível usufruir de alta rentabilidade ao investir essa quantia em aplicações com baixo risco, como os fundos de renda fixa, ficou para trás.

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Levantamento obtido com exclusividade pelo R7 Economize aponta que entre 2015 e 2016, aplicar R$ 1 milhão em modalidades financeiras que acompanham o CDI (Certificado de Depósito Interbancário, que normalmente tem valor próximo da taxa básica de juros, a Selic) – rendia, em média, R$ 11.875 ao mês.

Hoje essa mesma quantia gera um ganho mensal de R$ 1.667 – valor sete vezes menor do que o registrado há quatro anos.

Isso ocorre por que nos últimos quatro anos o Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, reduziu, gradativamente, a Selic – e ela é quem indexa grande parte da remuneração dos investimentos em renda fixa.

Em novembro de 2016, a Selic, que estava em 14,25% ao ano, sofreu a primeira de uma série de reduções até chegar aos atuais 2% ao ano. 

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“Um país com uma taxa de juros de 14% ao ano tem crédito caro e mais restrição ao consumo. Esse ciclo de cortes, portanto, foi necessário para estimular a economia”, diz Eduardo Akira, sócio da Vero Investimentos.

O cálculo dos rendimentos passados e atuais, porém, não leva em conta a inflação e outros custos, que podem tornar os retornos obtidos com a renda fixa, hoje, ainda menos significativos.

“Temos uma taxa de juro de 2% e uma meta de inflação de 2,4% ao ano. Ou seja, a economia pode ter um juro real negativo de 0,4% ao ano. Sem falar da alíquota de IR (Imposto de Renda) cobrada em algumas aplicações financeiras, como é o caso dos CDBs e do tesouro direito, que podem fazer com que o investidor receba menos dinheiro do que aplicou”, alerta Akira.   

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Por outro lado, há investimentos conservadores que podem oferecer ganhos um pouco maiores, como é o caso de alguns títulos da dívida pública. Porém, o retorno ainda está distante dos 14% registrados há quatros anos.

“O papel Tesouro IPCA, com vencimento em 2035, por exemplo, irá pagar ao investidor o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação, além de uma taxa de 3,7% ao ano. Mesmo que a inflação seja baixa, ele ainda terá um ganho maior do que outras modalidades ligadas ao CDI”, comenta o especialista.

O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é a taxa que determina o rendimento anual das aplicações em renda fixa e que segue a Selic.

Entretanto, Akira acrescenta que, embora os títulos públicos possam ser resgatados a qualquer momento, o indicado é esperar a data de vencimento, para que o investidor embolse a rentabilidade prometida no momento da aquisição.

“Ao comprar títulos públicos, é primordial ficar de olho nos tributos, já que a modalidade exige o pagamento do IR, que é regressivo. Ou seja, quanto mais tempo o dinheiro ficar aplicado, menor será o valor do IR.”

Eduardo Akira

Se ainda assim os ganhos não estiverem dentro das expectativas, o investidor precisará correr um pouco mais de risco.

Neste caso, as opções são:

• CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), que são os títulos de dívidas emitidos por incorporadoras e construtoras;
• CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), dívidas de cooperativas de crédito; e
• Debêntures incentivadas, que são os papéis emitidos por empresas que exercem atividades no segmento de infraestrutura.

Esses produtos financeiros remuneram de acordo com o IPCA, além de uma taxa de 4% ao ano, e são isentos de imposto de renda.

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“Porém, é importante falar que são títulos que não têm a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), ou seja, se a empresa não tiver o dinheiro, o investidor não poderá resgatar a aplicação”, orienta Akira.

Portanto, antes de adquirir o título, é fundamental estudar a empresa, o segmento e o momento econômico do setor no qual ela está inserida para identificar sua capacidade de honrar com o pagamento

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Para obter rendimentos mais próximos aos proporcionados em 2016, o investidor deverá ser ainda mais ousado e recorrer ao mercado de renda variável.

Para começar de forma gradativa, ele poderá recorrer aos fundos, como o de multimercados, que mesclam ativos de renda fixa e variável, ou aqueles que direcionam os recursos somente para o mercado de ações. 

“Para obter um retorno maior, é preciso correr mais riscos e mudar a cultura de investimento, assim como ocorreu em países com taxa de juros baixa. Nos Estados Unidos, por exemplo, a maior parte da população investe em ações.”

Educardo Akira

Os FIIs (Fundos de Investimentos Imobiliários) negociados em bolsa e que destinam o dinheiro dos investidores para a aquisição de empreendimentos imobiliários, também estão na lista de opções mais arrojadas.

O investidor que aplica na modalidade recebe rendimentos mensais, de acordo com os aluguéis pagos pelos locatários, sem a incidência de imposto de renda.

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Além disso, pode ganhar com a valorização da sua cota, se o valor dela estiver maior do que pagou no momento de vendê-la na bolsa de valores. 

Embora o Ifix (Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários), que é indicador que mostra o desempenho médio das cotas de 131 fundos no ano, tenha registrado uma queda de 12,2% durante este ano, os FIIs que têm em sua carteira cotas de galpões logísticos, têm conferido resultados animadores.

Perfil investidor define diversificação da carteira

Vale lembrar que mesmo diante da rentabilidade tímida da renda fixa não é indicado direcionar todos os recursos para a renda variável.

“O ideal é montar uma carteira diversificada com ativos conservadores, para aquele dinheiro que pode ser necessário no curto prazo, e agressivos, para alocar recursos que serão usados longo prazo”, reitera Akira. 

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Segundo o especialista da Vero, para quem tem o perfil agressivo, a renda varável não deve representar mais do que 35% dos investimentos, e para o moderado a fatia não deve ser maior que 20%. Já para o conservador, a recomendação é evitar oscilações e fugir do mercado de ações.

“Essa é a pessoa que não consegue dormir diante de qualquer volatilidade de mercado”. explica. Diante da definição do perfil, se a opção for permanecer na renda fixa, é impreterível fazer contas para evitar prejuízos. “É necessário calcular o juro real da aplicação, ou seja, descontar a inflação e custos com o imposto de renda (se houver) para que o investidor não perca poder de compra”. 

Por fim, o melhor caminho para evitar decisões equivocadas é procurar a ajuda de especialistas.

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“Aquele investidor que, no começo do ano, investiu no mercado de ações, por exemplo, porque a bolsa chegou aos 115 mil pontos, mas com medo da crise da pandemia vendeu os ativos, perdeu dinheiro. Por outro lado, se tivesse esperado não teria tido prejuízos, porque muitos dos fundos e dos ativos já se recuperaram. Esse tipo de orientação profissional é que o investidor precisa receber”, conclui.

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