Dia das Crianças: investir na Bolsa também é ‘coisa de gente pequena’

Há 10.210 mil contas registradas em nome de menores de 15 anos na B3. É preciso abrir uma conta corrente em conjunto com um responsável

Para investir na Bolsa, criança precisa ter uma conta conjunta com o responsável

Para investir na Bolsa, criança precisa ter uma conta conjunta com o responsável

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Quem disse que finanças, investimentos e o sobe e desce da Bolsa de Valores é “coisa de gente grande”? O mercado financeiro vem atraindo cada vez mais crianças interessadas em “fazer seu pé de meia”.

Atualmente há 10.210 mil contas registradas em nome de menores de 15 anos na Bolsa de Valores, segundo a B3.

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Para uma criança começar a investir, precisa ter CPF, uma conta corrente em conjunto com um responsável. Deve, ainda, abrir uma conta com um agente de custódia.

Betina Roxo, estrategista chefe da Rico, afirma que há um movimento forte de investidores ingressando na Bolsa de Valores, inclusive de crianças.

“Todos os investidores estão buscando soluções para aumentar a rentabilidade da sua carteira por causa da Selic baixa, e a Bolsa vem se mostrando positiva para este propósito", diz.

A executiva lembra que antigamente se falava muito na caderneta de poupança, mas as pessoas estão percebendo que a aplicação não vem sendo boa alternativa.

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Ela acredita que o interesse pela Bolsa vem sendo influenciado pela democratização das informações.

“As pessoas estão vendo vídeos, ouvindo outros falarem sobre o assunto e conseguem se identificar com elas, e isso ajuda a entender melhor o mercado de ações.”
Betina Roxo

No Dia das Crianças, o R7 Economize selecionou dois garotos que desde cedo investem em fundos de investimentos e ações.

Há, ainda, duas crianças que já possuem ações e títulos públicos federais, aplicados pelo pai.

Confira as histórias

Ele entrou na Bolsa aos 10 anos

Felipe Molero tem 12 anos e começou a investir na Bolsa de Valores aos 10, quando retirou o dinheiro da poupança e aplicou em fundos imobiliários.

Seu interesse por finanças começou na escola, quando passou a vender balas para os amigos mais baratas do que as da cantina.

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Quando percebeu que conseguiu levantar dinheiro com uma certa facilidade, resolveu buscar informações sobre o mercado financeiro para começar a investir.

• Leu livros – destaque para “Pai rico, pai pobre”, de Robert Kiyosaki e Sharon L. Lechter, e “Do mil ao milhão”, de Tiago Nigro;
• Acompanhou vídeo de influencers sobre finanças pessoais, entre eles de: Breno Perrucho, Tiago Nigro e Nathalia Arcuri; e
• Fez cursos gratuitos disponíveis na internet, entre eles, os da B3.

A tarefa mais difícil para começar a investir foi convencer os pais a abrirem uma conta pra ele em um a corretora – necessário para esse tipo de transação – e de que ele sabia sobre o que estava falando. A corretora escolhida foi a Messem Investimentos.

Feito isso, ele iniciou na Bolsa comprando cotas de dois fundos imobiliários. Um deles é de um shopping que fica ao lado da sua casa.

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O aporte inicial foi de R$ 1.000. Quando as ações da Petrobras baixaram, no início da pandemia no novo coronavírus, ele decidiu investir também nesta modalidade.

O menino diz que a atividade não atrapalha a sua vida escolar e a convivência com os amigos.

“Educação financeira é o meu entretenimento. Estudo das 8h às 15h, depois me dedico às finanças. Hoje meu pai também investe e minha mãe diz que começou por causa da confiança que transmiti para ela.”
Felipe Molero

Com a ajuda do pai, comprou R$ 500 em ações da companhia e aguarda os resultados da sua ousadia.

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Molero gostou tanto de falar sobre finanças que criou um canal Youtube, o Kid Investidor, para dar dicas para outras crianças e adultos.

Atualmente ele tem mais de 50 mil seguidores no Instagram, teve o interesse pelos investimentos aos nove anos.

Pai incentivou filho a começar na vida financeira

Vinicius Florio Rodrigues de Lima, 17 anos, investe na Bolsa de Valores desde os 15 anos.

Ele conta que começou a aprender sobre educação financeira com o pai, que já eram bom investidor.

“Não dá para deixar o dinheiro parado porque seria como desperdiçar tudo o que a gente conquistou. Meus pais sempre me incentivaram a ter consciência disso.
Vinicius Florio Rodrigues de Lima

Meu pai sempre investiu, e minha mãe começou a buscar opções de aplicações depois de mim.” Vinicius Florio Rodrigues de Lima

A primeira aplicação de Lima, de R$ 1 mil, foi em fundos de investimentos e renda fixa. O aporte inicial foi com dinheiro que ele juntou mais parte dada pelo pai.

Lima diz que o mundo das finanças não atrapalha a sua rotina escolar e de adolescente.

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“Em um momento do dia, eu paro, leio os acontecimentos do mercado e vou atrás das oportunidades que aparecem.”

Quanto aos amigos, Lima diz que alguns se interessam sobre o assunto, mas nem tanto quanto ele. “

“Meus amigos acham o assunto interessante, gostam do meu interesse, mas a maioria não tem interesse em fazer o mesmo.”

Irmãos de 3 e 5 anos têm ações e títulos públicos

Ana Francisca, de 5 anos, e Benjamin, de 2 anos, já possuem ações e títulos públicos federais, aplicados pelo pai, Marcelo Estrela, sócio da V Corp Capital.

“Desde 1 mês de vida, Benjamim recebe carta do banco, no qual é chamado de ‘prezado acionista'.” Marcelo Estrela

Os resgates dos títulos e ações estão previstos para quando eles chegarem aos 20 anos, mas a intenção de Estrela é que a mesada deles, já na fase infantil mais adiantada, seja os dividendos dessas aplicações.

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Todos os meses ele investe R$ 200 para cada um. Estrela diz que vai orientá os filhos a gastarem conforme os rendimentos e também a reinvestir.

"Não pretendo dar carro ou bens, mas ensiná-los a poupar e investir dinheiro para conquistar o que desejam. E isso é possível se eles conhecerem o mercado financeiro.”