Economize Dia Mundial da Poupança: apenas 16% diversificam investimentos

Dia Mundial da Poupança: apenas 16% diversificam investimentos

Pesquisa aponta que caderneta segue como investimento preferido dos brasileiros, usada por 74% dos entrevistados

Dia mundial da poupança

Depois da poupança, tesouro direto é o mais popular

Depois da poupança, tesouro direto é o mais popular

Pxhere

Nesta quinta-feira (31) comemora-se o Dia Mundial da Poupança. Apenas 16% dos brasileiros que poupam diversificam os investimentos, ou seja, aplicam o dinheiro extra em mais de um tipo de aplicação, segundo pesquisa divulgada pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito).

A maioria dos entrevistados (63%) afirma que aplica o dinheiro em um único produto financeiro e 21% guardam os recursos em conta corrente ou em casa. A caderneta é citada como o investimento preferido daqueles que têm o hábito de poupar, usada por 74% do total.

Em seguida, aparecem o tesouro direto, fundos de investimentos, previdência privada e CDBs. Dentre os investimentos menos populares estão as ações, as LCIs e LCAs e criptomoedas. 

A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, afirma que é essencial diversificar os investimentos, principalmente com taxas de juros mais baixas.
“Diversificar os investimentos é a forma que o poupador tem de se proteger contra uma eventual desvalorização de alguma das suas aplicações, amenizando riscos e encontrando formas de compensar perdas. Isso significa que se uma determinada aplicação não tiver um bom retorno em certo período, a distribuição dos recursos em outras aplicações pode equilibrar a rentabilidade final”, afirma Kawauti.

Para colocar a diversificação em prática, a economista diz que não há “receita de bolo”. O primeiro passo é identificar qual o risco que o investidor está disposto a assumir e quais os resultados esperados.

“Quando se trata de uma reserva de emergência, por exemplo, o recomendável é que a aplicação tenha liquidez. Quando se trata de aposentadoria, pode ser interessante abrir mão da liquidez para ter uma rentabilidade maior. Lembrando que diversificar não é apenas distribuir o patrimônio entre opções de renda fixa e variável, mas também procurar diferentes aplicações dentro de uma mesma categoria. No caso da renda fixa, o investidor pode buscar diferentes indexadores. Já no caso de ações, ele pode buscar empresas que atuam em mais de um segmento da economia”, explica.

Dificuldade em poupar

O levantamento mostra que apenas dois em cada dez brasileiros (21%) conseguiram guardar dinheiro no final do mês de setembro. Embora a quantidade ainda seja pequena, o indicador mostrou pequena melhora frente ao mesmo período do ano anterior, quando a quantidade de poupadores representava 17%.

Em média, os brasileiros conseguiram poupar R$ 453,73 no mês. Quase metade dos entrevistados afirmaram que a baixa renda foi o principal motivo para não guardar nada, além de imprevistos, dificuldade para controlar os gastos e a falta de renda no momento.

Em contrapartida, os motivos que levam brasileiros a poupar habitualmente são proteção contra imprevistos, intenção de garantir um futuro melhor para a família e a intenção de abrir um negócio próprio.

Outros motivos que apareceram, em menor escala, foram aposentadoria e comprar ou quitar a casa própria.

Para o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, os efeitos da crise ainda impõem dificultam a vida financeira do brasileiro, mas não é a única explicação. “Quem tem mais baixa renda, tem também uma margem menor para manobrar seus recursos, mas a formação de reserva não requer, necessariamente, valores altos. O que faz diferença no fim das contas é frequência e a disciplina em guardar recursos”, afirma. 

Metodologia da pesquisa

O indicador abrange 12 capitais das cinco regiões brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Fortaleza, Brasília, Goiânia, Manaus e Belém. Juntas, essas cidades somam aproximadamente 80% da população residente nas capitais. A amostra, de 800 casos, foi composta por pessoas com idade superior ou igual a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais a uma margem de confiança de 95%.