Dívidas, financiamentos e investimentos: o que liquidar e o que postergar na quarentena

Especialista Patricia Lages traz dicas sobre organização financeira durante o período de isolamento na pandemia do coronavírus

Perda de renda tem impacto direto no aumento das dívidas durante a crise

Perda de renda tem impacto direto no aumento das dívidas durante a crise

Pixabay

Tempos de crise exigem medidas extremas, principalmente quando se trata das finanças pessoais. Com o período de quarentena postergando na maioria dos Estados brasileiros, muitas vezes o cidadão se vê obrigado a selecionar necessidades básicas a serem supridas. A diminuição da renda força a população a fazer escolhas difíceis, sendo a principal qual conta priorizar neste período de incertezas.

Patricia Lages, especialista em finanças pessoais, autora de cinco best-sellers e responsável pelo blog Bolsa Blindada conversou com o R7 sobre o assunto. Entenda a seguir seu ponto de vista quanto às soluções para evitar o acúmulo de dívidas e a desorganização financeira, e como se preparar para a hora da retomada da Economia.

A qualquer momento, mas “principalmente diante de um cenário de crise, as contas que devem ser priorizadas são as de juros mais altos, como por exemplo: cobrir o limite da conta e quitar integralmente a fatura do cartão de crédito”, ensina Patricia. Isso porque, segundo ela, “contas com juros menores podem ser negociadas com mais facilidade, conforme o orçamento permitir”.

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Água, luz e telefone ou gás, as contas de concessionárias, permitem optar pela prorrogação, o que ajuda a manter outras despesas sob controle. O fundamental é “diminuir tudo que seja possível, cortando qualquer desperdício”, orienta. Como o Banco Central não estabeleceu nenhuma regra de negociação, cada instituição bancária está trabalhando de uma forma.

De olho nas “vantagens”
“É preciso que cada correntista verifique o que seu banco está oferecendo. No geral, em alguns há opção de prorrogar o vencimento de empréstimos e financiamentos, mas quase sempre isso acarreta em juros. Em alguns casos, as multas também não são perdoadas”, alerta a especialista. Preste atenção nas condições antes de aceitar qualquer oferta de prorrogação.

Sobre este tópico, Patricia traz a seguinte orientação: “Na maioria dos casos, a prorrogação de vencimento oferece apenas a vantagem de não negativar o nome do devedor, pois quase sempre o empréstimo ou financiamento será acrescido de juros e, como mencionamos, em certos casos nem a multa é perdoada”.

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Existe uma modalidade que dilui mensalidades ou parcelas não pagas pelo prazo restante do financiamento ou empréstimo. Mais uma vez, “neste caso, há incidência de juros e as prestações futuras ficarão um pouco mais altas”. Outro motivo para analisar com cuidado todos os cenários, para evitar arrependimentos futuros.

Manter ou resgatar

Resgate seus investimentos apenas se for para pagamento de dívidas

Resgate seus investimentos apenas se for para pagamento de dívidas

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E quanto aos investimentos? Patricia não sugere abrir mão deles, nem fazer resgates de maneira precipitada. Mas é enfática quanto às dívidas. “É hora de quitá-las para não perder o controle. A prioridade é manter as contas em dia, para depois investir. Dinheiro aplicado e contas em aberto não é uma boa estratégia, pois os juros costumam ser inferiores aos rendimentos”.

Apesar de tudo, com disciplina é possível manter o orçamento equilibrado. “Primeiramente, é necessário ter um controle de ganhos e gastos. Anotar tudo que entra e o que sai, não importa se estamos falando de pessoa física ou jurídica. Em seguida, analisar cada despesa e verificar o que pode ser cortado, ainda que temporariamente”, explica.

“Gastos devem ser menores do que ganhos e, para isso, só existem duas saídas: diminuir os gastou ou aumentar os ganhos. Viver do cheque especial só gera mais dívidas e aumenta o descontrole”.

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Um conselho importante de Patricia sobre a cultura financeira do brasileiro: “É preciso ter uma renda extra e guardar parte do que ganha, para fazer uma reserva de emergência. Pessoas que já têm essa reserva estão conseguindo passar por esse período com mais facilidade; o mesmo acontece com quem tem outra fonte de renda. Ao se ver impossibilitado de exercer uma, a outra ajuda a equilibrar as contas”, pondera.

“Renda extra e reserva de emergência devem ser objetivos que todos precisam considerar para ter um orçamento balanceado e evitar os altos e baixos nas finanças”, conclui.

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