É hora de negociar aluguel, conta de telefone, TV a cabo e outros gastos?

Momento exige cautela e redução de custos, segundo especialistas, mesmo para quem não teve renda afetada com a crise. Reserva financeira é essencial

Renegociar contas fixas pode ajudar a estabilizar orçamento, dizem especialistas

Renegociar contas fixas pode ajudar a estabilizar orçamento, dizem especialistas

Pixabay

Com a pandemia do coronavírus, muitas pessoas viram seus salários reduzidos ou perderam o emprego. Até mesmo quem ainda não teve os rendimentos afetados com a crise, está mais atento com os gastos.

Leia mais: Quer cortar gastos? Listamos 10 dicas para ajudar a sair do vermelho

O momento exige cautela e, para muitas pessoas, pode ser o início do uso consciente do dinheiro e a oportunidade para se criar uma reserva, segundo a educadora financeira Teresa Tayra.

“Muitas pessoas viram a importância de ter uma reserva financeira. Talvez sua renda não foi afetada, mas se não tem dinheiro guardado, aproveite para reavaliar serviços contratados e poupar.”
Teresa Tayra

TV a cabo, telefone etc

Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor-executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), acredita que o momento é propício para renegociar porque as empresas sabem que muitos estão sendo afetados com a queda da sua renda, contratos suspensos ou estão proibidos de trabalhar.

“Neste cenário, as pessoas têm duas possibilidades: cancelar os serviços ou renegociar. As empresas estão muito receptivas para negociar porque sabem que vão perder clientes por causa da pandemia”, frisa Oliveira.

Leia mais: Sobrou mês no fim do salário? Veja 8 dicas para seu dinheiro render mais

Tanto Teresa quanto Oliveira sugerem que o consumidor faça uma avaliação criteriosa  do seu orçamento e se pergunte: é o caso de suspender esses serviços ou é possível mantê-los com valores menores sem comprometer as finanças?

“Uma negociação para obter a redução de valores ou diluição da mensalidade atual nas próximas faturas pode ser suficiente em alguns casos. Em outros, talvez o corte do serviço seja necessário para garantir os itens de maior prioridade:  moradia e alimentação.  Cada situação merece uma análise”, orienta Teresa.

Aluguel

Quando o assunto é o pagamento do aluguel, Teresa recomenda que a melhor saída é ser transparente com o proprietário. “Uma negociação nesse período ajuda ambas as partes. O locatário a preservar sua moradia, e o locador a evita a vacância em um período de muita incerteza.”

Oliveira ainda destaca que o locador tem interesse em manter o inquilino no imóvel neste momento. “Ele sabe que com o imóvel vazio terá de pagar condomínio e IPTU [Imposto Predial e Territorial Urbano] e que não será fácil alugá-lo neste período.”

Leia também: Como investir os primeiros R$ 100 na Bolsa de Valores

Outro educador financeiro, Weldes Campos, fala que independentemente de o consumidor ter sua renda reduzida, o momento é favorável para uma negociação.

“Moro de aluguel por opção e o valor ultrapassa 5 dígitos. Mesmo podendo pagar, eu negociei com o corretor e terei desconto de 10% nos próximos seis meses."
Weldes Campos

Para ele, vale pedir desconto ou isenção neste momento porque o credor prefere perder um pouco e receber menos do ficar sem nada.

Consumidor deve iniciar negociação

Oliveira acredita que a grande dica do momento é falar com o dono do imóvel, empresas de tv a cabo, telefonia e outros fornecedores.

“Eles só darão desconto para quem pedir. Se ficar quieto, eles vão entender que não precisam de redução nos valores. Por isso é importante você se manifestar.”
Miguel Ribeiro de Oliveira

Campos também orienta o consumidor a trocar uma dívida com juros maior por menor, além de repensar a sua vida financeira.

Leia mais: Como gerar renda no isolamento social e manter as contas em dia?

“Se você tem o costume de usar o rotativo do cartão de crédito, o limite do cheque especial ou crédito pessoal, tente renegociar por uma linha de crédito consignado, que oferece juros menores. Busque alternativas.”