Efeito do Coronavírus na Bolsa pode gerar bons negócios para investidor

Para especialista, quem quiser ter bons rendimentos vai precisar sair da zona de conforto e apostar em uma carteira de ações com mais de risco

Bolsa registrou queda de 7% nesta semana

Bolsa registrou queda de 7% nesta semana

Kimimasa Mayama / EFE-EPA - 26.2.2020

O coronavírus se espalhou para mais países na última semana e, consequentemente, vem abalando o mercado financeiro. A B3 (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou o pregão da semana com queda de 8,36%, e de 8,4% no mês, resultando em perda de 9,9% em 2020.

Na quarta-feira (26), a Bolsa brasileira registrou queda de 7% aos 105.718 pontos, atingindo o pior desempenho desde maio de 2017.

Apesar de o cenário atual, especialistas da XP Investimentos afirmam que, no longo prazo, a situação deve se normalizar e que é possível conseguir boas oportunidades no mercado de ações. 

Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP, lembra de investidores que compraram ações em períodos de baixa, em meio a casos de epidemia, similares ao proporcionado pelo coronavírus, e acabaram se beneficiando com bons retornos no futuro.

“Historicamente, casos de epidemia como esse, quando você pega os últimos 30 anos, acabaram se mostrando como boas oportunidades de compra de ativos. Os investidores que compraram nas baixas acabaram se beneficiando de retornos elevados, uma vez quando esses surtos são controlados. Resta saber quando vai ser controlado, a dúvida é mais do timing”, afirma.

Investidor deve buscar ações de setores regulados

A orientação é que os investidores mantenham a calma e busquem papeis com bons fundamentos e resultados para investir.

Segundo a analista de ações da corretora Betina Roxo, nestes casos, “o curto prazo pode ser desafiador, mas no longo prazo a gente continua com uma visão positiva”.

Setores regulados, como é o caso de empresas elétricas e de saneamento, são boas opções para garantir proteção à carteira de investimentos, já que são companhias menos expostas à atividade econômica e boas pagadoras de dividendos (lucro aos investidores).

Ferreira diz que, apesar de as incertezas envolvendo a disseminação do novo vírus, este pode ser um momento de oportunidade. 

Roxo afirma que a disseminação da doença aumentou a aversão ao risco global e, por isso, o mercado sentiu os impactos. Na última semana, as empresas de turismo foram as mais impactadas — Azul, Gol e CVC. Segundo a especialista, o preço dos papeis é influenciado pela doença e também, no caso das aéreas, a cotação alta do dólar faz com que os papeis fiquem desvalorizados. 

Roxo ressalta que as empresas que operam na Bolsa já são líderes dentro dos ramos de atuação.

“Mesmo em momentos mais difíceis que a gente viu no Brasil, muitas delas continuaram crescendo e tendo lucros. No curto prazo, dada a incerteza, é natural que a pressão continue”, diz.

Um dos motivos para os especialistas manterem o otimismo é a baixa histórica na taxa de juros. Atualmente, a Selic está em 4,25%, o menor patamar para o indicador e isto faz com que investimentos em renda fixa rendam menos.

“Quando a volatilidade aumenta, o investidor se assusta um pouco, porém o cenário é muito claro de que as pessoas vão ter que sair da zona de conforto e ter uma carteira um pouco mais de risco”, afirma Ferreira.

Cerca de R$ 6 trilhões estão investidos nos produtos de renda fixa, dinheiro que pode migrar para a Bolsa e movimentar o mercado de ações.

Outros pontos que elevam o otimismo, apesar de o momento de crise, é o encaminhamento de reformas estruturais, a retomada do crescimento brasileiros, mesmo que lento e as empresas renegociarem suas dívidas.

Acompanhe o R7 Economize no Facebook (https://www.facebook.com/r7economize/) e no Instagram (https://www.instagram.com/r7economize/).