Economize Em meio à alta do dólar, saiba o que fazer com os investimentos

Em meio à alta do dólar, saiba o que fazer com os investimentos

Especialistas afirmam que a grande valorização da moeda já aconteceu e não é interessante apostar todas as fichas em aplicações atreladas ao dólar

Agência Estado
Dólar já valorizou mais de 47% no ano e está com cotação nominal recorde

Dólar já valorizou mais de 47% no ano e está com cotação nominal recorde

ADAILTON DAMASCENO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Nesta quinta feira (14), o dólar abriu o dia novamente em alta e renovou sua máxima nominal histórica, sendo cotado a R$ 5,96 às 10h. No dia 1º de janeiro de 2020, a moeda era cotada a R$ 4,02. Neste contexto, como os investidores devem olhar para essa valorização de mais de 47% no ano da moeda e como isso impacta seus investimentos olhando a longo prazo?

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A alta da moeda acontece por diversos motivos, sendo o principal deles a crise da pandemia da covid-19. Mas a turbulência política interna e a baixa atratividade recente no país devido aos sucessivos cortes na taxa básica de juros (Selic) também contribuem para o movimento.

Além disso, vale ressaltar que apesar de alto valor nominal, a cotação atual do dólar ainda está longe do valor máximo real que a moeda já atingiu. No dia 21 de outubro de 2002, a cotação nominal da moeda americana foi de R$ 3,96. Porém, com o poder de compra ajustado, o valor real hoje seria de R$ 7,64.

Para Fernando Bergallo, fundador e CEO da FB Capital, a moeda pode até subir mais no curto prazo, mas as projeções para o final do ano indicam o dólar mais depreciado do que o valor atual. Assim, ele comenta que não acredita ser muito mais interessante buscar novos investimentos atrelados ao dólar.

“As pessoas estão olhando para o momento e desejando que tivessem investido mais em dólar antes, pois agora o bonde já passou. O grosso da alta já aconteceu”, afirma Bergallo.

Caio Fernandez, CEO da IVEST e consultor de investimentos CVM, concorda com esta visão. Para ele, entrar agora em investimentos atrelados ao dólar seria mais efeito manada por conta da valorização no ano do que uma boa estratégia.

“Obviamente o dólar pode subir mais a curto prazo, mas acho que é um momento ruim para comprar mais apostando em uma especulação a longo prazo”, diz Fernandez.

Os especialistas acreditam que agora os investidores devem aproveitar os lucros que conquistaram e traçar uma nova estratégia.

Segundo o CEO da FB Capital, muitos de seus clientes já estão fazendo isso.“A maior parte deles está vendo agora um bom momento para diminuir os investimentos em dólar”, conta Bergallo.

Isso não significa, no entanto, que o investidor deve abandonar os investimentos atrelados ao dólar, pois eles são uma boa forma de diversificação. A armadilha em que o investidor não pode cair é buscar a mesma rentabilidade passada.

“Apesar das projeções de que ele vai depreciar a longo prazo, o dólar tende a permanecer em um patamar alto, ainda mais com o BC cortando a Selic e com a crise”, afirma Fernandez.

O que ficou atrativo com o dólar alto?

Existem diversas maneiras de fazer investimentos atrelados ao dólar e eles podem ser feitos via B3 ou diretamente nas bolsas americanas. Nos dois casos, o investidor se beneficia da flutuação da moeda.

Para José Francisco Cataldo, superintendente de research da Ágora Investimentos, em tempos de dólar alto como este, as aplicações em investimentos de empresas de commodities costumam se beneficiar. “São companhias exportadoras, então se beneficiam com o dólar mais apreciado frente ao real.”

Assim, Cataldo cita os setores de papel e celulose, siderurgia, mineração e proteína animal como investimentos que tiveram bons retornos mesmo em meio a crise e devem continuar fortes com a moeda valorizada.

Apesar disso, ele alerta também que devem ser considerados outros fatores: os custos da empresa e da dívida também podem subir com o dólar alto.

“Então, não são todas que se beneficiam muito e tem empresas que podem ser mais alavancadas que outras”, diz Cataldo.

Com isso, CEO da IVEST afirma que o momento é de apostar em empresas sólidas, que estão em baixa devido à crise e podem se beneficiar com a moeda norte-americana nos patamares atuais. “Tem que fazer as contas pensando em 2021”, diz Fernandez.

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