Economize Emissão de ações cresce 43% em outubro e chegam a R$ 35,3 bilhões

Emissão de ações cresce 43% em outubro e chegam a R$ 35,3 bilhões

As ofertas iniciais feitas por novas companhias cresceram 16,6% no período, sendo a maior captação mensal do ano totalizando R$ 5,9 bilhões

Operações no mercado de capitais atingiram R$ 35,3 bi

Operações no mercado de capitais atingiram R$ 35,3 bi

Pixabay

Os investimentos em renda variável caíram realmente no gosto dos brasileiros.

As operações no mercado de capitais atingiram R$ 35,3 bilhões em outubro, o segundo maior volume registrado no ano, atrás apenas de fevereiro, antes do início da pandemia do novo coronavírus.

O valor representa aumento de 43,7% em relação a setembro. Até o momento, as emissões em 2020 totalizam R$ 275,1 bilhões, ficando 18,5% abaixo do mesmo período de 2019.

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Os dados são da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Mais da metade do total captado em outubro (54,2%), de acordo com o levantamento, veio da renda variável. Essas operações totalizaram R$ 19,1 bilhões.

Nesta categoria, destacam-se os follow-ons (ofertas subsequentes de ações), com volume quase três vezes acima de setembro e 88,9% mais alto que o mesmo período do ano passado.

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O recorde de IPOs (Initial Public Offering, sigla para Oferta Pública Inicial (ou OPI), que marca a estreia de empresas que querem começar a vender suas ações para o público, também influenciou no resultado.

No mês, essas ofertas iniciais cresceram 16,6%, sendo a maior captação mensal de 2020 em termos absolutos (R$ 5,9 bilhões).

"O resultado reforça o bom ano para o mercado de ações, que tem se consolidado como fonte de recursos para diversas companhias."

José Eduardo Laloni, vice-presidente da Anbima

Ao todo, 16 empresas já abriram capital neste ano, além de outras cinco que precificaram as ofertas, mas não realizaram a publicação do anúncio de encerramento até outubro.

Na renda fixa, as debêntures – títulos de crédito emitidos por empresas e negociados no mercado de capitais – registraram volume de R$ 10,2 bilhões em outubro, equivalente a alta de 5,8% sobre o registrado em setembro.

No ano, a modalidade acumula R$ 84,8 bilhões.

O prazo médio de vencimento dos papeis tem se alongado em 2020: até outubro, ficou em 6,3 anos, contra 5,8 anos no mesmo período do ano passado.

O volume emitido por títulos de securitização: CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) e FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) caiu 56,2% na comparação a setembro, totalizando R$ 2,4 bilhões.

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Já os fundos imobiliários registraram um aumento de 29,6% em setembro atingindo um volume de R$ 3,1 bilhões.

No ano, a emissão desse fundo chegou a R$ 32,9 bilhões, contra R$ 28 bilhões no mesmo período de 2019.

No mercado externo, as emissões de renda variável, que estavam interrompidas desde fevereiro, foram retomadas, com duas operações que representaram US$ 314 milhões.

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Também ocorreram duas emissões de renda fixa no total de US$ 1,5 bilhão.

O montante de emissões externas (renda fixa e variável) chega a US$ 23,5 bilhões em 2020.

Mercado de ações, incluindo IPOs, traz riscos e oportunidades

Para Miguel José de Oliveira, diretor executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), destaca que o mercado de ações, incluindo as IPOs, são indicadas apenas para pessoas que querem correr riscos e que têm dinheiro disponível – que não seja da sua reserva de emergência – para investir.

“O lançamento de ações cresceu no mundo inteiro, não somente no Brasil, e sempre traz oportunidades, porque os papeis são mais baratos nessa fase e podem valorizar, mas pode ser uma decepção.”

Miguel de Oliveira

Aline Tavares, especialista em ações da Spiti, diz que o investidor precisa fazer a lição de casa antes de se arriscar para comprar ações de uma companhia.

“Para saber como a companhia se comporta em momentos de crise, mais agudos ou melhores, o ideal é ter um acompanhamento dos últimos 10 anos. Quando uma empresa faz o IPO, ela abre os dados de apenas os últimos três anos”, diz a especialista.

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