Economize Está endividado? Veja como sair dessa e começar a guardar dinheiro

Está endividado? Veja como sair dessa e começar a guardar dinheiro

Especialistas dão dicas para inadimplente conseguir pagar as contas e ainda criar um fundo de emergência para não comprometer mais o orçamento

  • Economize | Caio Sandin, do R7

Especialistas recomendam que mesmo com dívida, é preciso guardar dinheiro

Especialistas recomendam que mesmo com dívida, é preciso guardar dinheiro

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Ter um dinheiro guardado para utilizar em situações de emergência é uma das grandes lições dos economistas e especialistas em finanças para não acumular dívidas com cheque especial, cartão de crédito ou crédito pessoal. 

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Apesar de ser uma das principais dicas dos especialistas em educação ou planejamento financeiro, esta parece ser uma realidade distante para muita gente e, por fim, acaba sobrando mês no fim do salário.

A situação é ainda mais complicada para aqueles que possuem dívidas. Afinal, como conseguir pagar todas as contas do mês, a parcela da dívida e ainda guardar dinheiro para fazer o seu "pé de meia"?

O R7 conversou com o coordenador do MBA em gestão financeira da FGV-RJ Ricardo Teixeira, com a educadora financeira Teresa Tayra e com a planejadora financeira Rejane Tamoto e preparou um guia para dar aquela ajudinha para você iniciar a sua reserva.

Faça uma planilha de gastos e ganhos

Teixeira recomenda que as pessoas listem todas as receitas e gastos que têm no mês para conhecerem a sua real situação financeira.

"Ao analisar seus pagamentos mensais fixos, as parcelas das dívidas acumuladas e a renda mensal, é possível saber onde apertar um pouco para começar a reserva", comenta Teixeira.

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Rejane orienta que as despesas sejam colocadas de forma detalhada na planilha. "Não basta anotar que pagou R$ 1.500 no cartão de crédito, é preciso destrinchar a fatura para ver para onde de fato o dinheiro foi. Só assim, é possível ter uma visão clara da situação financeira e tomar medidas para reduzir as despesas que são possíveis de reduzir."

Depois de detalhar os gastos, é a vez de analisar os ganhos. Eles serão afetados pela crise gerada pela pandemia? Quem está muito comprometido com dívidas, deve se antecipar ao risco de uma perda ou diminuição da renda mensal, enfatiza Rejane.

Exclua gastos supérfluos da lista

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A primeira dica para iniciar seu fundo reserva é "tirar o supérfluo" das despesas mensais ou esporádicas.

"A partir daí é possível definir uma porcentagem do ganho líquido que será separada todos os meses para que, ao longo do ano, seja acumulada uma boa quantia".

Renegocie suas dívidas

Outra recomendação considerada fundamental por Teixeira é que o endividado procure o banco ou outro credor e renegocie a dívida.

"Não tenha vergonha. Pense assim: eu tenho uma dívida, desejo pagar, mas quero negociar para ter como pagar", orienta Teixeira.

Com a queda dos juros no último ano – atualmente em 4,25% ao ano e com previsão de cair a 4% na próxima quarta-feira –, é possível conseguir uma ampliação no período de pagamento com taxas mais baixas ou, no mínimo, a manutenção do juro atual, comenta o professor.

"É importante ser sincero na hora da renegociação e expor o valor máximo que poderá ser pago mensalmente. Neste momento, já considere a fatia que será colocada na poupança como impossibilitada de gastar para quitar a dívida", diz Teixeira.

Nesta semana, diante da situação de crise instaurada com a pandemia do coronavírus, o CMN (Conselho Monetário Nacional) adotou medidas para facilitar a renegociação de operações de crédito e ampliar a folga de capital dos bancos, de forma que possam conceder mais empréstimos.

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Os bancos poderão adotar medidas como prorrogação de pagamento de empréstimos por 60 dias, mas desde que as parcelas não estejam em atraso.

No entanto, não adianta apenas renegociar e empurrar o problema para frente, orienta a planejadora financeira. "É preciso organizar o orçamento para fazer frente a essas parcelas, mesmo que sejam prorrogadas."

Escolha uma aplicação e comece a depositar

Para iniciar seu fundo reserva, Teixeria acredita que o investimento mais indicado é a caderneta de poupança – apesar de a aplicação ter fechado o ano com 4,26%, perdendo inclusive para a inflação oficial, que fechou em 4,31%.

O motivo? É que, de acordo com ele, o montante a ser investido será relativamente pequeno, no caso de uma pessoa endividada.

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"Guardar dinheiro em casa, nem pensar! Quando o dinheiro fica em casa, você acaba gastando", explica o professor.

Para aqueles que questionam se é melhor quitar a dívida logo, com taxas menores, ou estender o parcelamento e criar a reserva, Teixeira explica que a resposta é dada caso a caso:

"O que é melhor para sua saúde, se ver livre o mais rapidamente da dívida ou ter esta reserva?"

Mas ressalta que a reserva é salutar: "Não se pode ser pego desprevenido porque todo o dinheiro que entra é usado no mesmo mês". 

Invista em suas habilidades

A maior dica que se pode dar para um envididado que quer "virar a chave", segundo Teresa, é "usar suas habilidades e sua rede de relacionamento".

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"Identifique uma habilidade que tenha e faça free lancers. Acesse sites que contratam serviços temporários. Invista nesse seu lado para sair do vermelho e começar a poupar."

Rejane também sugere para, se for possível, produzir e oferecer serviços mesmo em isolamento por causa da pandemia do coronavírus, usando a internet para isso.

"Use a criatividade para desenvolver atividades que possam gerar uma renda extra".

Explore sua rede de relacionamento

Seus amigos são a maior riqueza que você possa ter, de acordo com Teresa.

"A maioria das pessoas me fala que tem habilidade para fazer um doce, por exemplo, mas que não sabe vender. Minha dica é começar o negócio oferecendo o produto para amigos, parentes, vizinhos do condomínio, mães da escola do filho, entre outros. Só aí você já conquista uma grande clientela e o que é melhor, uma imortante rede de divulgação."

Pratique desapego

Teresa também sugere que o endividado vasculhe o guarda-roupa e os armários da casa para buscar objetos não utiliza mais.

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"Sempre tem algo encostado que alguém possa utilizar e gerar algum rendimento."

Rejane acrescenta: "avalie bens e objetos que não usa e pode vender para reduzir suas dívidas."

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