Novo Coronavírus

Economize Famílias ampliam espaços comuns da casa e migram para o interior

Famílias ampliam espaços comuns da casa e migram para o interior

Pandemia do novo coronavírus está deixando as pessoas mais em suas residências e despertando o interesse por áreas de lazer, estudos e trabalho

  • Economize | Márcia Rodrigues, do R7

Pandemia fez famílias buscarem mais espaços verdes, para lazer e atividade física

Pandemia fez famílias buscarem mais espaços verdes, para lazer e atividade física

Pixabay

A pandemia do novo coronavírus vem mantendo muitas famílias dentro de casa por mais tempo do que o habitual e despertando o interesse em ampliar cômodos, criar espaços ou mudar para um imóvel com quintal, de preferência no interior.

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A designer de interiores Denise Bertolini, da BeliArq Arquitetura de Interiores, afirma que viu a demanda por reformas crescer durante a quarentena.

“Nós sentimos uma procura no escritório tanto por projetos para novos imóveis quanto por reformas. A maioria queria fazer melhorias nos ambientes da casa, criar espaços para trabalho, estudo e lazer.”

Denise Bertolini

A designer acredita que a pandemia fez as pessoas mudarem a maneira de definir os espaços da casa.

“As famílias estão mais interessadas em ampliar cômodos, repensar os móveis existentes de uma maneira mais planejada para criar espaços multifuncionais.”

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Um cantinho da sala pode virar um novo ambiente, segundo ela. Há demanda, também, para se criar espaços de lazer e para se exercitar e de áreas verdes.

Interior é foco de quem busca uma moradia para refúgio

O arquiteto Bruno Mattos, da Bruno Mattos Arquitetura, afirma que a demanda por casas no interior, principalmente em condomínios fechados, aumentou na pandemia.

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Mattos finalizou uma obra durante a pandemia e está tocando outros dois projetos grandes no interior.

“As pessoas estão buscando uma segunda casa no interior como refúgio. Em todos os projetos, percebi uma mudança no uso do espaço. Há uma preocupação maior em equacionar ambientes.”

Bruno Mattos

Ao contrário do que há alguns anos, o arquiteto diz que os clientes estão pedindo a construção de áreas de estudos, de trabalho e de lazer.

Também estão investindo em mobiliário de qualidade, valorizando a ergonomia.

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“Tenho clientes que estão trocando o mobiliário devido ao home office. Também existem alguns casos que me solicitaram a criação de dois ambientes de trabalho para atender o casal que está trabalhando em casa.”

Mattos diz que esse movimento de equacionar espaços e buscar alternativas no interior vem sendo observado por todo o mercado de arquitetura.

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“A maioria dos meus colegas tem bastante trabalho e observaram essas tendências.”

Demanda no interior cresce a cada ano

Frederico Marcondes César, vice-presidente do interior do Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo), diz que nos últimos 40 anos a população do interior de São Paulo cresceu 97%, passando de 16,4 milhões de pessoas para 32 milhões.

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No mesmo período, a população da capital paulista foi de 8,5 milhões para 11,6 milhões, alta de 34%.

César destaca que em 25 anos o número de domicílios no interior de São Paulo passou de 5,5 milhões para 10,2 milhões domicílios, enquanto que na capital foi de 2,5 milhões para 3,8 milhões.

“Percebemos um crescimento maior nas cidades que ficam a um raio de 100 km da capital: Sorocaba, São José dos Campos, Atibaia, Jundiaí, Tamboré, Alphaville e ABC.”

Frederico Marcondes César

Para ele, vários motivos contribuem para o interesse da população pelo interior:

• Custo de vida é mais barato; 
• Preço médio do metro quadrado no interior de São Paulo é de R$ 4.600, enquanto na capital é de R$ 10 mil;
• Indústrias estão indo para o interior devido aos incentivos fiscais que as prefeituras oferecem;
• Há grandes universidades no interior;
• Segurança e mobilidade;
• Há opção de ônibus fretado para ir e vir ao trabalho, se continuar a prestar serviço na capital.

“As famílias da classe média alta pra cima estão procurando imóveis, apartamentos e lotes em condomínios fechados prontos ou para construir, sempre buscando qualidade de vida”, diz César e acrescenta: “e a classe média baixa percebeu que alugar ou comprar um terreno no interior é muito mais barato.”

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