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Economize Franquias dividem cozinhas e espaços para reduzir custos

Franquias dividem cozinhas e espaços para reduzir custos

Compartilhamento de ambientes é uma tendência no varejo e no setor de franquias e se intensificou na pandemia da covid-19

  • Economize | Márcia Rodrigues, do R7

Resumindo a Notícia

  • Redes de diversos segmentos estão apostando na união de processos para reduzir custos.
  • O compartilhamento de espaços pode ser feito em lojas físicas ou cozinhas industriais.
  • Especialista aposta na redução de até 50% nos custos com uma cozinha compartilhada.
  • Tendência vem sendo usada por marcas que têm sinergia e se complementam.
Usar a mesma cozinha para a produção de mais de uma marca pode reduzir até 50% dos gastos

Usar a mesma cozinha para a produção de mais de uma marca pode reduzir até 50% dos gastos

Pixabay

A pandemia do novo coronavírus fez muitos negócios fecharem as portas em 2020. Vimos empresas criando delivery, se reinventando e, até, mudando suas operações.

Uma tendência que vinha se intensificando, tomou mais forma na pandemia e que deve se consolidar nos próximos anos é o uso de cozinhas e espaços compartilhados. O motivo é simples: redução de custos.

“As franquias e o varejo, de uma forma geral, implantaram muita tecnologia nas operações durante a pandemia. Aprendemos a ser mais eficientes e tudo isso reflete no modelo de nossos negócios”, diz André Friedheim, presidente da ABF (Associação Brasileira de Franchising).

Friedheim afirma que o compartilhamento das operações está crescendo no Brasil e isso reflete no ganho de eficiência por parte das empresas, que buscam sempre pela redução de custos.

“A tecnologia vem nos permitindo operar sem a necessidade de um espaço físico muito grande, e uma operação acaba puxando a outra.”

André Friedheim

O executivo destaca que normalmente as empresas que se unem para dividir um espaço físico em loja ou cozinha têm sinergia, se complementam e nunca são concorrentes.

“Muitas vezes são operações da mesma rede, que tem mais de uma marca, ou por franqueados diferentes, mas que conseguem aumentar a sua eficiência unificando os processos.”

É o caso de Luiz Felipe, diretor do Grupo Alento e vice-presidente da ABF Rio. O executivo mantém a operação de oito marcas em uma única cozinha de 50 metros quadrados.

Todas atuam apenas no sistema delivery e em segmentos diversificados da culinária.

• Papah (marmita caseira econômica) e Dona Poli (comida caseira com ingredientes mais elaborados) fazem comida típica brasileira
• Massa Terapia (produz exclusivamente massas)
• Seu Risotto (focada em risoto)
• Z de Pizza (pizzas)
• Godofredo Burger e Maestria (hamburguerias)
• Seu Loriva (açaí, tapioca e omelete)

“Nossa operação tomou forma no mês de maio, em plena pandemia. Iniciamos o projeto com franqueados que já atuam no grupo Alento e com a proposta de reduzir a ociosidade de uma cozinha. É uma tendência que se intensificou na pandemia.”

Luiz Felipe

Atualmente o grupo tem cinco operações, ou seja, cinco cozinhas abertas e que atuam com as oito marcas, todas no Rio de Janeiro. A meta é chegar ao meio de 2021 com 15 cozinhas em funcionamento.

Felipe acredita que a maior vantagem do compartilhamento de cozinha e do sistema delivery é a simplicidade do negócio: não precisa de decoração, talheres, nem de espaço e funcionários para atender ao público.

O executivo estima que o compartilhamento de uma cozinha pode gerar até 50% de redução nos custos de uma marca, se comparada a uma empresa que atua sozinha e que tem períodos de ociosidade na operação.

Para Luis Stockler, consultor especializado em franquias da BaStockler, o compartilhamento de espaço é uma tendência que veio para ficar, mas, no caso de loja física, não é uma implantação tão simples.

“Estamos observando um número grande de lojas grandes dando espaço para outras operações, mas não é uma negociação simples. Exige acordo com o dono do imóvel para sublocação, por exemplo, obras e essas ações não são realizadas de tão rapidamente.”

Falta clareza no conceito de ‘compartilhamento’, diz especialista

Para Marcus Rizzo, diretor da Rizzo Franchise, falta clareza no conceito destes negócios. Quem vai compartilhar o quê? Como? E onde? Franquias ou franqueadores vão compartilhar espaços para produzirem? Vão compartilhar o mercado?

Conceitos de negócio para virarem franquias, segundo ele, precisam ser amplamente testados e terem sucesso comprovado e, neste caso, “tendência” quer dizer “achamos que vai dar certo pois nunca experimentamos em nossos próprios negócios”.

Será que depois de virem suas margens completamente comprometidas por intermediários como iFood, UberEats, Rappy e os cartões de crédito, franqueados vão aceitar mais uma divisão no consumidor.

Marcus Rizzo

O especialista cita, por exemplo, que o iFood chega a levar de 12% até 18% do valor pago, fora as taxas do cartão.

Rizzo afirma que gostaria de ouvir dessas redes que estão compartilhando espaços algo como: “desenvolvemos aplicativos e eficientes sistemas de entrega, reduzindo nossos custos e melhorando nossa margem. E agora estamos prontos para passar este nosso conhecimento para a nossa rede de franqueados, bem como ter novos franqueados para ganharem dinheiro adotando nosso modelo e conceito”.

“Primeiro eu experimento em casa, testo e aprendo muito, para depois de ter adquirido muita experiência é que vou adotar este modelo nas minhas franquias.”

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