Economize Investidores podem começar a ‘perder dinheiro’ na renda fixa

Investidores podem começar a ‘perder dinheiro’ na renda fixa

Taxa básica de juros a 2,25% ao ano derrubou a atratividade de investimentos conservadores e exige atenção para não amargar perdas reais no futuro

  • Economize | Alexandre Garcia, do R7

Cenário atual exige busca por novas alternativas

Cenário atual exige busca por novas alternativas

Pixabay

Paraíso de muitos brasileiros no passado, as aplicações na renda fixa perderam atratividade com as recentes quedas da taxa de juros e podem começar a apresentar uma rentabilidade abaixo da inflação, o que representaria uma perda real do valor investido.

Diante da fixação dos juros básicos em 2,25% ao ano, Adriano Cantreva, sócio da Portofino Investimentos, avalia que os investidores que apostarem em títulos atrelados ao CDI terão rendimentos suficientes apenas para repor a variação de inflação e manter o poder de compra.

'Com as taxas de juros a 2%, mesmo que você tire o Imposto de Renda, chega na conclusão que o investidor que tiver resultado positivo vai ter um retorno muito baixo”

Adriano Cantreva

Igor Mundstock, economista do Grupo Laatus, relata que o cenário atual é inédito no Brasil.

"A taxa de juros atual rentabiliza títulos que pagam 100% do CDI em 0,18% ao mês. Há cinco anos, era 1,18% ao mês, recorda. Ele alerta para a importância de saber qual investimento escolher para não encarar a possibilidade de uma perda real no futuro com a mudança da trajetória da taxa Selic.

“Um investidor que adquirir títulos pré-fixados vai ter uma taxa de retorno até o vencimento fixada na Selic atual. Se a taxa voltar a subir por qualquer questão econômica, ele terá uma perda real dos seus investimentos”

Igor Mundstock

A perda real de um investimento corresponde a uma rentabilidade negativa ao descontar a inflação do período. Atualmente, a meta para a inflação de 2020 é de 4%, com tolerância de 1,5 ponto percentual, podendo variar entre 2,5 e 5,5% no período entre janeiro e dezembro.

“No momento atual, nós temos uma inflação negativa. Então, a inflação não seria um problema para os investidores com títulos mais antigos”, observa Mundstock.

Os efeitos da pandemia da economia, no entanto, ainda devem ditar o andamento do índice oficial de preços e das taxas de juros nos próximos meses. “A crise do coronavírus forçou o Brasil a utilizar ferramentas monetárias eficazes em uma alta dosagem e a taxa de juros é um exemplo disso”, avalia o economista do grupo Laatus.

Para Cantreva, o cenário atual vai obrigar que os mais conservadores busquem por novas alternativas. “A maior parte de quem investia em fundos de renda fixa e contavam com os juros desses fundos agora não podem mais fazer isso”, orienta ele.

"O Brasil de cinco anos atrás era um País de rentistas que investiam seu capital praticamente sem risco na renda fixa e que rentabilizavam 15% ano. O Brasil de hoje é um país de rentistas sem conhecimento do mercado financeiro e desesperados por rentabilidade”

Igor Mundstock

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