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Economize Investimentos de renda fixa voltam a ser atrativos com alta na Selic

Investimentos de renda fixa voltam a ser atrativos com alta na Selic

Analistas de mercado estimam que taxa básica de juros fique entre 2,25% e 2,50% ao ano e que elevação siga nos próximos meses

  • Economize | Márcia Rodrigues, do R7

Mercado prevê alta  a Selic entre 0,25 e 0,50 ponto percentual

Mercado prevê alta a Selic entre 0,25 e 0,50 ponto percentual

Pixabay

A Selic (taxa básica de juros) deve ser elevada nesta quarta-feira (17) após 17 meses registrando queda e manutenção até ficar em 2% ao ano.

A previsão do mercado é de que o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central anuncie uma elevação entre 0,25 e 0,50 ponto percentual ao fim da reunião, prevista para acabar às 18h30.

Com esta alta, os investimentos de renda fixa voltam a ser atrativos? A resposta é sim.
Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), diz que à medida que a Selic sobe, os investimentos atrelados a juros sobem também.

Tanto a poupança vai ganhar um pouco mais, já que o rendimento da modalidade corresponde a 70% da Selic, quanto os fundos de renda fixa e CDBs que têm a taxa como referência.

Naturalmente, esta elevação ainda é pequena para fazer muitas alterações e tornar a renda fixa tão competitiva, mas melhora a rentabilidade da renda fixa.

Miguel José Ribeiro de Oliveira

Para Luiz Fernando Carvalho, estrategista da Ativa Investimentos, se a alta da Selic se consolidar, o ideal é que o investidor que prefere a renda fixa, opte por modalidades com indexadores flutuantes.

“A taxa pré-fixada não é aconselhada, já a flutuante oferece um percentual de CDI ou IPCA mais juros”, pontua ele.

O economista cita algumas opções:

• Fundos imobiliários;
• Debentures; e
• CDBs indexados em CDI.

“Se formos comparar dois investimentos com taxas flutuantes, CDI mais 3% ou IPCA mais 3%, por exemplo, eu fico com a segunda opção porque, como a curva de juros do Banco Central está um pouco atrás da inflação, ela está corrigindo e acelerando mais rápido. Enquanto a inflação tem uma correção mensal, as atualizados do BC são feitas em 45 dias.”

Paula Zogbi, especialista da Rico Investimentos, diz que com a provável alta da Selic, a primeira classe de investimentos que se beneficia é a renda fixa pós-fixada, aquela que paga um percentual da própria Selic ou do CDI (taxa interbancária que acompanha a Selic e é usada em títulos privados).

Ela também pontua que a relação é intuitiva mesmo: um CDB 100% do CDI pagava 2% ao ano e, se a Selic subir 0,5 ponto percentual passa a pagar 2,5% ao ano.

Além da reserva de emergência, obrigatória para todos os perfis de investidores e que necessariamente deve estar em um pós-fixado de liquidez diária (como o Tesouro Selic), aumentamos em março a nossa exposição a fundos e ativos com esse tipo de remuneração para capturar esse movimento.

Paula Zogbi

Existem hoje CDBs pagando perto de 135% do CDI com vencimento em até 3 anos, que são nossos favoritos no momento, frisa a especialista.

Para quem prefere ajuda de uma gestora especializada, dá para investir via fundos de renda fixa pós-fixada também.

"Como esses investimentos sofrem menos efeitos da marcação a mercado (variação de preços no mercado secundário), eles valem até para perfis conservadores", afirma.

Dependendo do tamanho da alta e do tom do comunicado, podemos esperar reações diferentes para os demais títulos de renda fixa.

"Caso o cenário de alta de 0,5 ponto percentual se confirme, é possível que as taxas de curto prazo caiam, para refletir esse ritmo de aumento, e as de longo prazo "empinem" (principalmente se o discurso da autoridade monetária for mais 'hawkish', ou seja, mais inclinado a novas altas nos juros)", comenta a especialista.

Se formos surpreendidos com um aumento mais forte, de 0,75 ponto, por exemplo, a reação mais provável seria a oposta — altas nas taxas de curto prazo e quedas nas de longo prazo.

"Em qualquer uma das hipóteses, pode esperar taxas de prefixados e indexados à inflação reagindo, com os preços se movimentando em sentido oposto (alta nas taxas gerando desvalorização do título e vice-versa)", diz Paula.

Em ambos os cenários, consideramos importante ter em carteira investimentos em renda fixa indexados à inflação, principalmente para proteger as suas finanças do aumento nos preços no curto prazo.

No Tesouro Direto, recomendamos o Tesouro IPCA+ 2026, mas também indicamos que os investidores moderados busquem alternativas em crédito privado com remuneração indexada à inflação, seja via papéis isolados ou via fundos de investimento.

Série de quedas da Selic começou em 2019

O Copom começou a série de quedas consecutiva da Selic em setembro de 2019, quando passou de 6,5% ao ano em agosto daquele ano, para 6% ao ano em setembro.

Desde então, a taxa básica de juros vem registrando consecutivas quedas até agosto de 2020, quando chegou a 2% ao ano.

Nos meses seguintes, o Copom decidiu pela manutenção da taxa que segue a 2% ao ano até a próxima quarta-feira, quando deve ser anunciada a elevação.

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